Operação Anhangá cumpriu mandados após agentes e falso policial exigirem até R$ 300 mil de depósitos de sucata.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaesp) e a Corregedoria da Polícia Civil realizaram, nesta sexta-feira, a Operação Anhangá, que prendeu três policiais civis da 74ª DP (Alcântara) e um homem que se passava por agente e extorquiam comerciantes em São Gonçalo, na Região Metropolitana.

Segundo a denúncia do MP, os envolvidos são os agentes Mauricio Gomes da Silva, Rafael Ricardo Obesso, Rafael Sipriano Silveira e Luiz Claudio da Silva Medeiros, conhecido como Cacau. Na casa de Luiz Claudio, que fingia ser policial civil, os agentes recolheram R$ 35 mil e uma arma. Levados para a Corregedoria da instituição, os quatro ficaram em silêncio.
A quadrilha usava viaturas oficiais, fardas e armas para simular fiscalizações administrativas e ambientais em empresas de reciclagem, ferros-velhos, sucatas e depósitos de resíduos. Nas falsas operações, os quatro intimidavam os proprietários exigindo dinheiro para acabar com a falsa ação.
As investigações começaram a partir de dados de inteligências com apoio da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil. Para fundamentar a ação, os agentes ouviram testemunhas, e reconheceram os presos por imagens de câmeras de segurança e foto, além de comprovantes de transferência bancária que comprovaram as fraudes.
Cobranças
As apurações dos promotores detalham investidas diretas contra estabelecimentos comerciais da região. São eles:
SOF Comércio e Reciclagem de Sucatas.
No dia 19 de agosto, os policiais exigiram R$ 300 mil para não autuar a empresa. Após negociação, o valor caiu para R$ 100 mil parcelados, com uma taxa mensal de R$ 800. Na mesma data, a vítima transferiu R$ 25 mil para Luiz Claudio, apontado como operador financeiro do grupo. Não havia qualquer ordem de serviço ou registro formal que justificasse a abordagem.
Afermota Comércio e Distribuidora de Ferros.
O grupo abordou um caminhão da empresa e o seguiu até o depósito, onde os suspeitos se apresentaram falsamente como agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA). No local, pediram R$ 20 mil e reduziram o valor para R$ 15 mil, mas nenhum pagamento foi realizado.
O nome da operação remete ao espírito protetor das florestas no folclore indígena, em alusão ao combate contra agentes públicos que utilizavam suas atribuições legais para praticar crimes.
Em nota, a Polícia Civil disse que “não compactua com qualquer prática ilícita ou desvio de conduta por parte de seus servidores e atuará com rigor para responsabilizar aqueles que utilizarem o cargo para cometer crimes”.
Eles responderão por associação criminosa, que dá até três anos de prisão, concussão, que pode dar 12 anos de cadeia e um dos policiais por corrupção ativa, cuja pena é mais 12 anos.