Rio de Janeiro, 25 de Junho de 2026

Polícia investiga fraude bilionária para reativar banco extinto

Investigação apura tentativa de reativação do Banco de Crédito Móvel, liquidado nos anos 1960, para reivindicar crédito superior a R$ 1 bilhão ligado a...

Quinta, 25 de Junho de 2026 às 11:11, por: CdB

Investigação apura tentativa de reativação do Banco de Crédito Móvel, liquidado nos anos 1960, para reivindicar crédito superior a R$ 1 bilhão ligado a disputa de terras no Recreio dos Bandeirantes.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quinta-feira, uma operação para apurar um suposto esquema de fraude envolvendo a reativação do Banco de Crédito Móvel S.A. (BCM), instituição financeira oficialmente liquidada há mais de seis décadas. Segundo os investigadores, a manobra teria como finalidade permitir a apropriação indevida de um crédito superior a R$ 1 bilhão.

Polícia Civil cumpre mandados de busca e apreensão em diversos bairros do Rio na manhã desta quinta-feira

A ação é conduzida pela Delegacia de Defraudações e tem como alvos acionistas do antigo banco e integrantes da alta administração da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja). Entre os investigados estão o vice-presidente do órgão, Affonso D’Anzicourt Silva, o secretário-geral, Gabriel Oliveira de Souza Voi, e o ex-presidente da autarquia, Sergio Tavares Romay.

Ao todo, foram expedidos 12 mandados de busca e apreensão, cumpridos em imóveis de alto padrão localizados nos bairros do Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca, Glória, Tijuca, Copacabana, Gávea e Botafogo.

Banco

De acordo com a investigação, o Banco de Crédito Móvel encerrou oficialmente suas atividades em 1964, após decisão tomada pelos próprios acionistas. Na ocasião, os sócios minoritários receberam indenização em dinheiro, enquanto os acionistas majoritários dividiram os bens remanescentes da instituição, processo que resultou na extinção definitiva das ações da companhia.

Apesar desse histórico, a Polícia Civil afirma que, em 2024, foi autorizada a reativação da instituição na Jucerja por decisão do Colégio de Vogais, então presidido por Sergio Tavares Romay.

Os investigadores apuram se o procedimento ocorreu de forma irregular, uma vez que, segundo a corporação, a medida teria sido aprovada mesmo diante de decisão judicial em sentido contrário e de parecer técnico desfavorável emitido pela Procuradoria da própria Junta Comercial.

A principal hipótese investigada é que pessoas sem legitimidade tenham sido apresentadas como acionistas do banco para conferir aparência de legalidade à reativação da instituição e, assim, viabilizar a reivindicação de um crédito bilionário.

Terreno

A investigação está diretamente relacionada a um antigo litígio envolvendo um terreno de aproximadamente 153 mil metros quadrados no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

A área é objeto de uma disputa judicial que se estende há décadas entre famílias que afirmam ser proprietárias do imóvel e o governo do Estado, que contesta a validade da documentação utilizada para comprovar a posse.

Segundo a Polícia Civil, as indenizações decorrentes do processo podem alcançar cerca de R$ 2,5 bilhões, considerando a atualização monetária dos valores discutidos judicialmente.

O Banco de Crédito Móvel já havia sido citado anteriormente em negociações históricas relacionadas ao terreno, circunstância que aumentou a complexidade do caso.

Agora, a linha de investigação aponta que a tentativa de reativação da instituição financeira poderia ter sido utilizada como instrumento para interferir diretamente na disputa patrimonial e permitir que os envolvidos buscassem acesso a eventuais indenizações bilionárias pagas pelo Estado.

Outras suspeitas

Além da suposta fraude envolvendo a reativação do banco, a Polícia Civil também investiga possíveis conexões dos alvos da operação com outros crimes relacionados ao setor imobiliário.

Entre as suspeitas apuradas estão invasões de terrenos na Barra da Tijuca, fraudes imobiliárias e a construção de condomínios considerados irregulares.

Os investigadores pretendem analisar documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos durante o cumprimento dos mandados para verificar a eventual participação dos investigados nesses fatos e identificar outros possíveis envolvidos.

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