Polícia Civil registra 19 ocorrências envolvendo o também corretor de imóveis e músico em estupros nos últimos dois anos.
Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília
O tatuador, corretor de imóveis e músico Vinicius Roig, de 47 anos, foi preso preventivamente na quinta-feira, em Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina. Morador de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, ele é investigado por suspeita de estupro e outros crimes cometidos contra mulheres.

Vinicius Roig, 47 anos, foi preso preventivamente
Segundo a Polícia Civil, Roig estava em um apartamento alugado por meio de aplicativo quando foi localizado. A prisão ocorreu sem resistência e foi determinada no contexto das investigações conduzidas pelas autoridades gaúchas.
A repercussão do caso aumentou depois que uma professora de Torres, identificada como Michele Duarte, relatou nas redes sociais episódios de violência doméstica que afirma ter sofrido durante o relacionamento. O relato recebeu apoio da própria irmã de Roig, Juliana Roig, que compartilhou a história em uma página no Instagram que posteriormente viralizou nas redes.
Irmã denunciou
A publicação feita por Juliana ajudou a desencadear uma mobilização de outras mulheres. A página passou a reunir relatos de supostas vítimas que afirmam ter mantido relacionamentos com Roig e descrevem episódios de agressões físicas, humilhações, perseguição, violência psicológica e violência sexual.
De acordo com a Polícia Civil, existem 19 ocorrências registradas nos últimos dois anos nas quais Roig aparece como suspeito. Os casos estão relacionados a municípios como Torres, Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul e Cachoeirinha.
O Ministério Público também acompanha as denúncias e afirma que já ofereceu três denúncias contra Roig por crimes cometidos contra mulheres em Torres e Sapucaia do Sul. As ações foram apresentadas em setembro de 2025, abril e junho de 2026 e aguardam análise do Judiciário.
O promotor de Justiça de Torres, Márcio Roberto Silva de Carvalho, afirmou que a repercussão nas redes sociais ocorreu recentemente, mas que o Ministério Público já atuava no caso antes da mobilização virtual. Segundo ele, a prisão preventiva foi considerada necessária diante da gravidade dos fatos investigados e para proteger as possíveis vítimas.
Novos relatos
A mobilização provocada pela página criada nas redes sociais também levou mulheres a procurar o Ministério Público. Em Porto Alegre, algumas delas foram acolhidas pelo Espaço Bem-Me-Quer, serviço voltado ao atendimento de vítimas.
Segundo Carla Frós, coordenadora da Central de Atendimento às Vítimas do Ministério Público do Rio Grande do Sul, houve mulheres que relataram episódios ocorridos há décadas e decidiram procurar as autoridades depois de acompanhar a repercussão dos relatos publicados.
A Promotoria realizou ainda um levantamento envolvendo registros anteriores e informações apresentadas pelas mulheres. Conforme a promotora responsável pelo acompanhamento, são mais de 20 possíveis vítimas consideradas inicialmente, somando os relatos publicados na página e os registros já existentes.
O Tribunal de Justiça informou que não pode divulgar detalhes dos processos porque os procedimentos estão sob segredo de Justiça.
Estupro
Em Torres, a Polícia Civil abriu uma investigação específica contra Roig por suspeita de estupro envolvendo uma ex-companheira. O delegado Marcos Veloso afirmou que os investigadores trabalham na coleta de provas e na tomada de depoimentos das mulheres que procuraram as autoridades.
As investigações também consideram os demais relatos que chegaram à Polícia Civil. Entre as denúncias apresentadas ao Ministério Público estão acusações relacionadas a ameaças, violência psicológica, perseguição e descumprimento de medidas protetivas de urgência.
Em um dos episódios citados na primeira denúncia do MP, Roig teria ido até o prédio onde uma vítima morava, em Torres, feito ameaças e arremessado pedras contra o edifício. Segundo a acusação, ele teria ameaçado quebrar os vidros do apartamento e matar a mulher e outro homem que estivesse com ela.
Nas redes sociais, Vinicius Roig publicou uma manifestação em que afirma reconhecer que existem acontecimentos que precisam ser tratados com seriedade. Ao mesmo tempo, contestou parte das informações que passaram a circular, alegando que alguns relatos apresentam distorções ou foram retirados de contexto.
Roig também registrou ocorrência contra mulheres por suposta calúnia e tentou retirar a página do ar por meio de uma ação judicial. O pedido liminar, no entanto, foi negado pela Justiça.
Na decisão, a magistrada afirmou que as manifestações publicadas no perfil não foram produzidas “no vácuo” e que havia “substrato fático concreto” para os relatos divulgados.
A Polícia Civil continua investigando as denúncias, enquanto o Ministério Público acompanha os casos apresentados pelas mulheres. A defesa de Roig é procurada para se manifestar sobre as acusações e a prisão preventiva.
Juliana Roig afirmou que a mobilização não tem como objetivo promover vingança, mas buscar responsabilização pelos fatos denunciados. A irmã do investigado foi uma das pessoas que ajudaram a dar visibilidade ao primeiro relato publicado por Michele e à criação da página que reuniu outras denúncias.
Michele, que possui medida protetiva contra Vinicius Roig, afirmou que não esperava que o caso alcançasse grande repercussão nas redes sociais. Agora, espera que os relatos apresentados às autoridades sejam devidamente investigados e que a Justiça dê uma resposta às possíveis vítimas.