O São Paulo teve seu presidente, Julio Casares, afastado na semana passada acusado de irregularidades na condução do clube.
Por Redação, com Agenda do Poder – de São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação para investigar um esquema de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbis, casa do São Paulo Futebol Clube. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, segundo informa reportagem do porta G1.

Entre os alvos estão Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base do clube, e Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, presidente afastado do São Paulo, que atuava como diretora feminina, cultural e de eventos. Também é investigada Rita Adriana, apontada pela polícia como a pessoa responsável por negociar ilegalmente os camarotes.
Áudios e suspeita de divisão de lucros
O caso ganhou maior repercussão após a divulgação, pelo portal ge, de áudios atribuídos a Douglas Schwartzmann. Em um dos trechos, ele fala sobre a divisão dos valores obtidos com as negociações irregulares.
– Teve negócio aí que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou, mas foi feito tudo na confiança – diz Douglas em um dos áudios.
Após a operação, Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram licença de seus cargos no clube. As defesas negam as acusações e sustentam que os áudios divulgados foram retirados de contexto.
Resultado das buscas
De acordo com a Polícia Civil, as diligências tiveram resultados distintos em cada endereço alvo. Na residência de Rita Adriana, a operação foi considerada infrutífera quanto à localização da investigada. Os filhos dela, que estavam no local, informaram que a mãe reside atualmente em outro endereço. Ainda assim, anotações consideradas pertinentes à investigação foram apreendidas.
Na casa de Mara Casares, os policiais encontraram R$ 20 mil em dinheiro vivo, além de farta documentação e uma CPU. Já na residência de Douglas Schwartzmann, foi constatado que o investigado está em viagem ao exterior. As equipes foram recebidas pelos filhos dele, e as buscas no imóvel seguiam em andamento no momento da divulgação das informações.
Impeachment e crise institucional
A investigação sobre os camarotes ocorre em meio a uma das maiores crises políticas e institucionais da história recente do São Paulo. O clube enfrenta sucessivos escândalos internos e teve Julio Casares afastado da presidência após aprovação de um pedido de impeachment no Conselho Deliberativo.
Paralelamente ao processo político, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar possíveis crimes envolvendo a gestão do clube. Casares pode responder por associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita, embora o próprio São Paulo seja considerado vítima no caso.
Segundo a investigação, entre 2021 e 2025 foram realizados saques em dinheiro vivo que somam cerca de R$ 11 milhões das contas do clube. Inicialmente, os valores eram retirados por funcionários do São Paulo e, posteriormente, passaram a ser sacados por uma empresa de transporte de valores. O destino desse dinheiro ainda não foi esclarecido.
Ainda de acordo com a polícia, no mesmo período houve depósitos na conta pessoal de Julio Casares que totalizam aproximadamente R$ 1,5 milhão.
Defesas e justificativas
O advogado do presidente afastado, Bruno Borragini, negou qualquer relação entre os saques realizados pelo clube e os depósitos na conta pessoal de Casares.
– Não há uma relação de vinculação, nem direta nem indireta, entre os saques do São Paulo e as entradas em espécie na conta do Julio – afirmou ao programa Fantástico, da TV Globo.
A defesa também sustenta que, antes de assumir a presidência do clube, Casares atuava como publicitário e recebia parte de sua remuneração em dinheiro vivo, o que explicaria os valores depositados.
Já o advogado do São Paulo, Pedro Iokoi, argumenta que parte dos saques em espécie se justificaria pela necessidade de pagar determinadas despesas do futebol, como arbitragem e premiações a jogadores.
Na semana passada, o clube contratou peritos para reunir notas fiscais e tentar comprovar a destinação dos valores sacados.