Rio de Janeiro, 21 de Janeiro de 2026

Polícia combate venda ilegal de ingressos no Morumbis

A Polícia Civil investiga esquema de venda ilegal de camarotes no Morumbi, envolvendo dirigentes do São Paulo FC, após afastamento do presidente Julio Casares.

Quarta, 21 de Janeiro de 2026 às 11:36, por: CdB

O São Paulo teve seu presidente, Julio Casares, afastado na semana passada acusado de irregularidades na condução do clube.

Por Redação, com Agenda do Poder – de São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quarta-feira, uma operação para investigar um esquema de venda ilegal de camarotes no estádio do Morumbis, casa do São Paulo Futebol Clube. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, segundo informa reportagem do porta G1.

Polícia combate venda ilegal de ingressos no Morumbis | Clube teve presidente afastado na última semana
Clube teve presidente afastado na última semana

Entre os alvos estão Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto das categorias de base do clube, e Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, presidente afastado do São Paulo, que atuava como diretora feminina, cultural e de eventos. Também é investigada Rita Adriana, apontada pela polícia como a pessoa responsável por negociar ilegalmente os camarotes.

Áudios e suspeita de divisão de lucros

O caso ganhou maior repercussão após a divulgação, pelo portal ge, de áudios atribuídos a Douglas Schwartzmann. Em um dos trechos, ele fala sobre a divisão dos valores obtidos com as negociações irregulares.

– Teve negócio aí que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou, mas foi feito tudo na confiança – diz Douglas em um dos áudios.

Após a operação, Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram licença de seus cargos no clube. As defesas negam as acusações e sustentam que os áudios divulgados foram retirados de contexto.

Resultado das buscas

De acordo com a Polícia Civil, as diligências tiveram resultados distintos em cada endereço alvo. Na residência de Rita Adriana, a operação foi considerada infrutífera quanto à localização da investigada. Os filhos dela, que estavam no local, informaram que a mãe reside atualmente em outro endereço. Ainda assim, anotações consideradas pertinentes à investigação foram apreendidas.

Na casa de Mara Casares, os policiais encontraram R$ 20 mil em dinheiro vivo, além de farta documentação e uma CPU. Já na residência de Douglas Schwartzmann, foi constatado que o investigado está em viagem ao exterior. As equipes foram recebidas pelos filhos dele, e as buscas no imóvel seguiam em andamento no momento da divulgação das informações.

Impeachment e crise institucional

A investigação sobre os camarotes ocorre em meio a uma das maiores crises políticas e institucionais da história recente do São Paulo. O clube enfrenta sucessivos escândalos internos e teve Julio Casares afastado da presidência após aprovação de um pedido de impeachment no Conselho Deliberativo.

Paralelamente ao processo político, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar possíveis crimes envolvendo a gestão do clube. Casares pode responder por associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita, embora o próprio São Paulo seja considerado vítima no caso.

Segundo a investigação, entre 2021 e 2025 foram realizados saques em dinheiro vivo que somam cerca de R$ 11 milhões das contas do clube. Inicialmente, os valores eram retirados por funcionários do São Paulo e, posteriormente, passaram a ser sacados por uma empresa de transporte de valores. O destino desse dinheiro ainda não foi esclarecido.

Ainda de acordo com a polícia, no mesmo período houve depósitos na conta pessoal de Julio Casares que totalizam aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Defesas e justificativas

O advogado do presidente afastado, Bruno Borragini, negou qualquer relação entre os saques realizados pelo clube e os depósitos na conta pessoal de Casares.

– Não há uma relação de vinculação, nem direta nem indireta, entre os saques do São Paulo e as entradas em espécie na conta do Julio – afirmou ao programa Fantástico, da TV Globo.

A defesa também sustenta que, antes de assumir a presidência do clube, Casares atuava como publicitário e recebia parte de sua remuneração em dinheiro vivo, o que explicaria os valores depositados.

Já o advogado do São Paulo, Pedro Iokoi, argumenta que parte dos saques em espécie se justificaria pela necessidade de pagar determinadas despesas do futebol, como arbitragem e premiações a jogadores.

Na semana passada, o clube contratou peritos para reunir notas fiscais e tentar comprovar a destinação dos valores sacados.

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