Segundo a Polícia Civil, investigação apontou movimentação financeira de R$ 70,4 milhões do grupo.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A Polícia Civil do Rio realizou, nesta terça-feira, a Operação Icarus, que investiga um grupo suspeito de fornecer drogas para o Comando Vermelho. A ação cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas. Até o momento, 11 pessoas foram presas. Entre os presos está Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o Boss, apontado pelos investigadores como fornecedor de drogas e um dos articuladores do esquema, além de dois policiais militares.

Segundo a investigação, o Boss mantinha contato direto com lideranças do Comando Vermelho para organizar o abastecimento de comunidades ligadas à facção. A prisão ocorreu na segunda-feira, em Alagoas.

Policiais
De acordo com as investigações, os policiais militares Claudio Tavares da Silveira e Diego Portella Batista prestavam apoio armado, além de atuarem na distribuição de drogas e no recolhimento de valores. Já os denunciados Petterson Suzuki Marques Trindade, o Pet; Rafael de Menezes Faustino, o Alemão; Renato Ivo de Oliveira; e Felipe Santos de Oliveira eram responsáveis pela logística, pelo transporte e pela cobrança.
Entre os denunciados que, segundo as investigações, recebiam as drogas de forma recorrente no Rio de Janeiro para redistribuir estão:
Pedro Henrique Mesquita da Silva, o Tiquinho
Thiago Claudio Duarte Chagas, o Cabeça
Matheus Eduardo Tentempo Lima, o Dourado
Anderson Santanna da Silva, o “Gão”; Anderson Adriano de Oliveira, o Dnort
Bruno de Lemo Garcia, o Bruninho.
Já Alsuece Alves de Assis, o Sussu, e Simone Alexandrino atuavam como laranjas.
Segundo o Ministério Público, 15 mandados de prisão preventiva foram expedidos pelos crimes de associação para o tráfico e lavagem de capitais. Além disso, o GAESF/MPRJ pediu o confisco de bens e a perda alargada do patrimônio dos denunciados
Além dos mandados de prisão, os agentes cumprem ordens de busca e apreensão e outras medidas judiciais para localizar celulares, documentos, dinheiro, veículos e outros materiais que possam ajudar a esclarecer a atuação do grupo. Desde o início desta terça-feira os agentes estão nas ruas. Veja abaixo a movimentação dos policiais:
Movimentação
Um dos principais pontos da apuração é a movimentação financeira atribuída aos investigados. Segundo a Polícia Civil, operações consideradas atípicas envolvendo pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo movimentaram mais de R$ 70 milhões em um curto período.
Para os investigadores, empresas dos setores de transporte e logística poderiam ter sido utilizadas para ocultar ou dissimular valores e viabilizar o transporte de drogas entre São Paulo e Rio de Janeiro. A apuração teve início após a apreensão de anotações de Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, uma das principais lideranças do Comando Vermelho.
Entre os registros encontrados pelos investigadores estavam anotações de contabilidade do tráfico. Segundo a Polícia Civil, os documentos indicavam pagamentos feitos por My Thor a Boss. A partir das informações, os investigadores passaram a apurar a atuação de Laércio. Segundo a investigação, ele negociava cargas de drogas, organizava fretes e pagamentos, coordenava operadores logísticos e utilizava pessoas interpostas para movimentar valores.
A estrutura identificada teria divisão de tarefas entre liderança, operadores logísticos, transportadores, responsáveis pela cobrança e recolhimento de dinheiro e pessoas utilizadas para movimentar recursos.
Drogas
Duas grandes apreensões de drogas foram relacionadas pelos investigadores ao grupo. Em 2 de fevereiro de 2024, policiais apreenderam 715,7 quilos de cocaína e maconha em Guarulhos, em São Paulo. Em 31 de maio do mesmo ano, foram apreendidos outros 73,8 quilos de cocaína em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio.
Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos durante a investigação indicam que as duas cargas faziam parte da mesma dinâmica de transporte interestadual de drogas. A investigação também apontou o uso de empresas dos setores de transporte e logística para, segundo os investigadores, ocultar a atividade e viabilizar o envio de entorpecentes entre os dois Estados.
A Operação Icarus é conduzida pelo Serviço de Investigações Complexas da Corregedoria-Geral (SIC) e pela Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ), da Corregedoria da Polícia Militar, Polícia Penal e polícias civis de São Paulo, Minas Gerais e Alagoas.
Em Maceió, um dos principais alvos da investigação foi preso na segunda-feira, durante uma ação conjunta da SSINTE e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil. As investigações continuam para identificar outros envolvidos e detalhar a origem e a destinação dos valores movimentados pelos investigados.