Investigação identificou nove suspeitos de participar do esquema, que envolveria ameaças e controle da administração de um condomínio. Policial militar está entre os alvos.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Nove pessoas são investigadas por suspeita de integrar a milícia Gilson Ingrácio de Souza Junior, o Juninho Varão, apontada como responsável por extorquir moradores e controlar a administração de um condomínio em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A Polícia Civil realiza uma operação nesta quarta-feira para cumprir dois mandados de prisão preventiva e 10 de busca e apreensão contra os suspeitos.

Segundo as investigações da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), o grupo mantinha um esquema de cobranças ilegais no complexo residencial. O grupo criminoso cobrava uma taxa de R$ 70 aos moradores do conjunto, que tem cerca de 100 apartamentos.
Os moradores seriam ameaçados de violência e de expulsão das próprias casas caso não pagassem os valores exigidos. As extorsões somavam cerca de R$ 85 mil mensais.
A apuração aponta que a organização criminosa tinha funções definidas para arrecadar o dinheiro, fiscalizar os pagamentos e prestar contas à liderança. O controle também se estendia à administração do condomínio, o que permitia ao grupo interferir na rotina dos moradores e explorar economicamente o conjunto residencial.
Entre os alvos estão Felipe Alves da Silva, o Felipinho, apontado como braço direito de Juninho Varão, com atuação no comando das cobranças, e Marcos Francisco dos Prazeres Júnior, o MJ, suspeito de executar ameaças e intimidações contra os residentes.
PM
Um policial militar da ativa também é alvo de mandado de busca e apreensão. De acordo com a investigação, ele teria influência na administração do condomínio, mantinha contato direto com integrantes da cúpula da milícia e participava da estrutura usada para intimidar os moradores.
A operação conta com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar e tem como objetivo atingir os setores financeiro e operacional do grupo.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos citados. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Juninho Varão
Juninho Varão é apontado como o principal líder de uma organização paramilitar conhecida como Bonde do Varão, com atuação em áreas da Baixada Fluminense. Segundo informações do Disque Denúncia, sua influência se estende a pelo menos cinco bairros de Nova Iguaçu, incluindo Cabuçu, e a partes de Queimados. O grupo também é associado à atuação em Seropédica.
Antes de liderar a própria estrutura criminosa, Juninho teria integrado a milícia de Wellington da Silva Braga, o Ecko, morto em 2021. Após a morte do antigo chefe, ele passou a atuar de forma independente.
A organização é investigada por extorquir moradores e comerciantes, cobrar taxas de segurança e controlar serviços e atividades econômicas nos territórios sob sua influência. O grupo também é associado a assassinatos ligados a disputas territoriais.
Investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apontaram movimentações financeiras de cerca de R$ 10 milhões em um período de um ano. Em outra apuração, que resultou em uma operação da Polícia Federal e do MPRJ em agosto de 2026, os investigadores identificaram movimentações superiores a R$ 350 milhões em relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Juninho Varão é considerado foragido da Justiça e é alvo de investigações relacionadas à atuação de sua organização criminosa.
Operações policiais contra o grupo em 2026.
As ações policiais realizadas ao longo deste ano atingiram diferentes frentes de atuação da milícia.
20 de agosto: PF mira estrutura financeira da milícia.
A Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagraram a Operação Fora de Ordem, com o objetivo de atingir a estrutura da milícia de Juninho Varão. Na ocasião, 23 endereços na capital fluminense e em Nova Iguaçu foram alvo de mandados de busca e apreensão.
A investigação apurou suspeitas de controle de atividades comerciais e influência em bairros de Nova Iguaçu e de outras cidades da Baixada Fluminense. Além das buscas, a Justiça determinou medidas para bloquear recursos financeiros e impedir a venda ou transferência de bens dos investigados.
Com base em relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), os investigadores identificaram movimentações superiores a R$ 350 milhões.
7 de outubro: investigação aponta tentativa de obter informações para favorecer Juninho.
Uma investigação da Polícia Federal e do MPRJ sobre a Operação Magen identificou suspeitas de que policiais e ex-policiais militares cobravam para realizar investigações clandestinas e obter informações sigilosas para criminosos.
Um dos episódios citados pelo Ministério Público envolve Juninho Varão. Segundo o órgão, Vitor Hugo procurou um policial militar com acesso aos sistemas de câmeras da Secretaria de Segurança para tentar obter imagens que pudessem favorecer a defesa do investigado.
A intenção seria conseguir registros que mostrassem Juninho em um restaurante em determinado horário, de modo a construir um álibi e afastá-lo do local onde o homicídio teria ocorrido.
8 de outubro: suspeito de integrar a milícia é preso por violência doméstica.
Pablo Vasconcelos de Oliveira, de 32 anos, foi preso em flagrante por agredir a companheira dentro de casa, em Nova Iguaçu. De acordo com a Polícia Civil, ele também seria integrante da milícia comandada por Juninho Varão.
A prisão foi realizada por agentes da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Nova Iguaçu. Segundo a investigação, a vítima relatou ter sido puxada pelos cabelos, derrubada e agredida com tapas, chutes e socos na cabeça durante uma discussão. Ela conseguiu fugir pela janela da sala.
9 de outubro: dois suspeitos presos por cobranças a comerciantes.
Dois homens apontados como integrantes da milícia foram presos pela Polícia Civil no bairro Valverde, em Nova Iguaçu. Identificados como Bruno da Silva Ribeiro, o Di Porcão, e Marcus Vinícius Tibúrcio Dionisio, conhecido como GTA, eles são suspeitos de participar da cobrança de taxas ilegais impostas a comerciantes da região.
Segundo as investigações, os dois desempenhavam funções diferentes durante as cobranças e recorriam à intimidação para garantir os pagamentos.
Saiba como denunciar:
O Disque Denúncia pede que quem tiver informações sobre a localização de foragidos da Justiça entre em contato pelos seguintes canais de atendimento:
– Central de atendimento/Call Center: (021) – 2253 1177 ou 0300-253-1177
– WhatsApp Anonimizado: (021) ? 2253-1177 (técnica de processamento de dados que remove ou modifica informações que possam identificar uma pessoa)
– Aplicativo: Disque Denúncia RJ
O anonimato é garantido.