Rio de Janeiro, 27 de Fevereiro de 2026

ONU alerta que violência de gênero atingiu nível de emergência mundial

ONU declara emergência mundial devido à crescente violência de gênero. Volker Türk destaca casos como o de Gisèle Pelicot e Jeffrey Epstein.

Sexta, 27 de Fevereiro de 2026 às 11:41, por: CdB

Volker Türk lamentou especialmente os casos de abusos como o de Gisèle Pelicot, na França, e do pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein.

Por Redação, com RTP – de Genebra

A violência contra as mulheres tornou-se “emergência global”, alerta o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, lamentando principalmente os abusos revelados em casos como o de Gisèle Pelicot, na França, e o do pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein.

ONU alerta que violência de gênero atingiu nível de emergência mundial | Alto comissário lembrou abusos como os de Gisèle Pelicot e Epstein
Alto comissário lembrou abusos como os de Gisèle Pelicot e Epstein

– A violência contra as mulheres, incluindo o feminicídio, é uma emergência global – afirmou Volker Türk, acrescentando que cerca de 50 mil mulheres e jovens foram assassinadas em todo o mundo em 2024, a maioria delas por membros de suas próprias famílias.

Em discurso sobre a situação dos direitos humanos no mundo, perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, nesta sexta-feira, Türk lamentou especialmente os casos de abusos como o de Gisèle Pelicot, na França, e do pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein. O caso de Pelicot ficou conhecido mundialmente. A francesa de 71 anos foi drogada e violada por dezenas de homens desconhecidos, recrutados pelo ex-marido ao longo de uma década.

– Tanto o caso Pelicot quanto os arquivos Epstein demonstram a extensão da exploração e do abuso de mulheres e jovens. Alguém acredita que não existem muitos outros homens como Dominique Pellicot ou Jeffrey Epstein? Esses abusos horríveis são facilitados por sistemas sociais que silenciam as mulheres e protegem os homens poderosos da responsabilização – disse Türk.

– As mulheres e as jovens enfrentam ameaças cada vez maiores aos seus direitos – alertou, apelando aos países que investiguem “todos os alegados crimes, protejam as sobreviventes e garantam justiça sem medo ou favorecimento”.

Conflitos

No seu discurso, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos manifestou preocupação com a normalização do uso da força para resolver conflitos em todo o mundo, alertando que os conflitos estão criando um verdadeiro “deserto dos direitos humanos”.

– Não devemos regressar à violência como base para a organização do mundo – exortou Türk, alertando que “o uso da força, tanto por meio de ameaças quanto pelo uso eficaz, para resolver conflitos está se tornando cada vez mais frequente e comum”.

– O mundo está realmente se tornando um lugar mais perigoso – disse ele, lembrando que o número de conflitos armados quase duplicou desde 2010, para cerca de 60.

Türk condenou a aparente indiferença pelas violações do direito internacional, salientando que, há 10 anos, “o ataque a um hospital teria provocado uma onda de indignação global, mas dados recentes mostram que há agora, em média, dez ataques por dia a instalações de saúde”.

– A conclusão é clara: ignorar as atrocidades só alimenta os massacres – alertou. “O mundo não pode ficar de braços cruzados enquanto o edifício do direito internacional humanitário e dos direitos humanos se desmorona diante dos nossos olhos”, afirmou.

– Os autoritários tentam convencer as pessoas de que são impotentes, mas os direitos humanos nos lembram que não o somos – escreveu Türk na rede social X.

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