Rio de Janeiro, 06 de Julho de 2026

ONU alerta para urgência de regras globais sobre IA

Guterres disse que é preciso reduzir os riscos potenciais da tecnologia, sobretudo em relação às crianças.

Segunda, 06 de Julho de 2026 às 10:37, por: CdB

Guterres disse que é preciso reduzir os riscos potenciais da tecnologia, sobretudo em relação às crianças.

Por Redação, Reuters e Xataka – de Genebra, São Francisco

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou, nesta segunda-feira, para a necessidade de se criar regras em nível global no desenvolvimento da inteligência artificial (IA). Ele afirmou que a IA está se desenvolvendo mais depressa do que qualquer pessoa consegue acompanhar.

Secretário-geral diz que é preciso reduzir riscos potenciais

No Diálogo Global das Nações Unidas da Inteligência Artificial, encontro promovido pela ONU nesta segunda e terça-feira em Genebra, Guterres disse que é preciso reduzir os riscos potenciais da tecnologia, sobretudo em relação às crianças.

Regras

O objetivo deste primeiro Diálogo Global das Nações Unidas sobre Governança da Inteligência Artificial não é negociar um tratado, mas sim debater formas de estabelecer regras que permitam reduzir os potenciais riscos da IA e, ao mesmo tempo, aproveitar as oportunidades que essa tecnologia oferece.

Os delegados vão analisar relatório elaborado por um painel científico independente apoiado pelas Nações Unidas, composto por 40 especialistas, que apresentará as conclusões da primeira avaliação científica global e independente sobre inteligência artificial.

Meta

Segundo a Bloomberg, a Meta está projetando um negócio de computação em nuvem para vender a capacidade excedente de seus data centers de IA para terceiros. A empresa está considerando duas abordagens:

Oferecer acesso a modelos hospedados em sua infraestrutura;

Ou alugar diretamente poder computacional, similar ao modelo das neoclouds.

O contexto geral

Zuckerberg vem insinuando essa mudança há algum tempo. Na reunião de acionistas de maio, ele afirmou que competir na nuvem era “definitivamente uma possibilidade” e que empresas o procuravam “quase toda semana” para comprar poder computacional dele. Agora, essa ideia inicial se tornou um plano de negócios.

O serviço incluiria acesso ao Muse Spark, modelo próprio da Meta, que ainda não tem data de lançamento para desenvolvedores terceirizados;

A empresa também está explorando o aluguel de poder bruto de GPUs, o modelo de negócios da CoreWeave e da Nebius.

Por que isso é importante:

Entre 2023 e 2026, a Meta construiu uma das maiores infraestruturas de computação do mundo praticamente sozinha, sem parceiros ou clientes externos para monetizá-la. Noventa e oito por cento de sua receita ainda vem de publicidade.

Transformar esses data centers em um produto que vende, e não apenas em um custo absorvido, é o primeiro indício público de que a Meta precisa de outra fonte de receita para justificar o investimento.

Em números:

A Meta elevou sua previsão de gastos com infraestrutura para 2026 para US$ 145 bilhões (cerca de R$ 749,8 bilhões), US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51,7 bilhões) a mais do que o projetado em janeiro;

Suas ações subiram mais de 9% após a divulgação da notícia, registrando seu melhor desempenho em mais de cinco meses, embora tenham sofrido uma correção posteriormente;

A margem bruta da Meta é de 82% e sua margem operacional é de 41%. O negócio de nuvem do Google, por outro lado, opera com uma margem de 18%, em comparação com 42% de sua divisão de publicidade;

As ações da CoreWeave caíram 10,8% e as da Nebius, 12,4%, em meio a temores de perder a Meta como cliente e ganhá-la como concorrente.

Nas entrelinhas

O paralelo mais claro é com a SpaceX. A empresa de Musk, proprietária da xAI, começou a alugar capacidade de seus data centers para o Google e a Anthropic por mais de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,3 bilhões) por mês entre as duas empresas.

Ambas as empresas compartilham um padrão: treinaram seus próprios LLMs (Learning Learning Machines) sem alcançar a adoção em massa pelo mercado e agora monetizam o que sobra em vez do que produzem.

O contraste

O Google é o espelho no qual a Meta se vê, e não é um reflexo favorável. Lançou seu negócio de nuvem em 2008, abriu capital em 2011 e só obteve lucro em 2023. Quinze anos para a computação se tornar lucrativa. A Meta teria que construir uma equipe de vendas e suporte técnico do zero, algo que não possui atualmente — bem diferente de vender espaço publicitário automaticamente, como vem fazendo.

Sim, mas

Isso não deve ser interpretado apenas como um sinal de fraqueza. Se você vai construir capacidade de qualquer maneira, é racional não deixá-la ociosa, mas transformá-la em um ativo. O próprio Zuckerberg descreveu a situação dessa forma em maio, quando explicou que a demanda interna havia absorvido toda a capacidade disponível até então. Mas isso mudou.

E agora?

A questão que permanece é de que lado a Meta quer estar: do lado daqueles que competem para construir o melhor modelo, ou do lado que vende infraestrutura para aqueles que o fazem.

Há alguns meses, o Google cortou o acesso da Meta ao Gemini devido à falta de capacidade e forçou a Meta a racionar o consumo de tokens entre seus próprios funcionários. Vender computadores hoje também significa não depender mais de terceiros para vender para você.

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