Rio de Janeiro, 17 de Fevereiro de 2026

Ogan mais antigo do país, Luiz Bangbala morre aos 106

Luiz Bangbala, o ogan mais velho do Brasil, faleceu aos 106 anos no Rio de Janeiro. Reconhecido por sua contribuição ao candomblé, ele deixa um legado de mais de 80 anos de dedicação.

Terça, 17 de Fevereiro de 2026 às 14:14, por: CdB

Ele morreu na noite do último domingo, no Rio de Janeiro, aos 106 anos e com mais de oito décadas exercendo função no candomblé. 

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

O corpo de Ogan Bangbala, reconhecido como o ogan mais velho do Brasil, foi sepultado na tarde desta terça-feira, no Cemitério Jardim Mesquita, na Baixada Fluminense.

Ogan mais antigo do país, Luiz Bangbala morre aos 106 | Ele exercia função no candomblé há mais de oito décadas
Ele exercia função no candomblé há mais de oito décadas

Ele morreu na noite do último domingo, no Rio de Janeiro, aos 106 anos e com mais de oito décadas exercendo função no candomblé. 

O religioso estava internado desde o dia 31 de janeiro no Hospital Municipal Salgado Filho, por causa de uma infecção nos rins. O falecimento foi comunicado nas redes sociais pela esposa, Maria Moreira. 

– Hoje o candomblé perdeu uma das figuras mais importantes, o Comendador Ogan Bangbala, o mais velho ogan do Brasil, o mestre dos mestres. Meu coração sangra de tanta dor, vá em paz meu amor, meu orgulho, meu mestre – escreveu a viúva.

Bangbala nasceu como Luiz Ângelo da Silva, em 21 de junho de 1919, em Salvador (BA), e lá foi iniciado no Candomblé e passou a exercer a função de ogan, pessoa responsável por tocar os atabaques e comandar o ritmo das cerimônias de recepção dos orixás. Ainda jovem se mudou para a cidade de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, onde viveu até sua morte.

Filhos de Gandhy

O ogan também foi um dos fundadores do afoxé Filhos de Gandhy no Rio de Janeiro, e gravou dezenas de álbuns de cânticos de candomblé em língua iorubá. Em 2014, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, concedida pela Presidência da República. Bangbala também já foi homenageado pela escola de samba Unidos do Cabuçu, em 2020, e tema de uma exposição organizada pelo Centro Cultural Correios, em 2024.

O babalorixá Ivanir dos Santos definiu o ogan como “o grande griot das nossas tradições, não só dos ritos dos orixás, mas também dos ritos fúnebres”. O termo “griot” designa as pessoas que guardam as memórias dos povos africanos.

– Ele nos deixou, mas vai sempre continuar presente aos nossos afazeres, no dia-a-dia dessas práticas. Agora ele também é um ancestral nosso. Que continua nos iluminando e sendo presente nas nossas ações dentro das casas de candomblé, dos blocos afros, dentro dessa cultura tão vasta que marca a identidade do povo afro-brasileiro – complementou Santos.

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