Em entrevista nesta sexta-feira, a diretora para Ásia e Pacífico da chancelaria, Susan Klebank, resumiu o foco da política setorial.
Por Redação, com Reuters – de Brasília e Nova Delhi
Brasil e Índia confirmaram a assinatura, na próxima semana, do acordo de cooperação em minerais críticos e terras raras durante a visita de Estado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Nova Delhi. Segundo o Itamaraty, o entendimento cumpre a diretriz de agregar valor à produção nacional e ampliar parcerias internacionais.

Em entrevista nesta sexta-feira, a diretora para Ásia e Pacífico da chancelaria, Susan Klebank, resumiu o foco da política setorial.
— Dar prioridade, abrir-se à cooperação internacional e trazer valor agregado à produção nacional. Não apenas extrair o mineral, mas também processá-lo aqui (no Brasil) — afirmou, após reforçar a intenção de ir além da exportação de matéria-prima e estimular etapas industriais no próprio país.
Cooperação
O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo e busca, ao mesmo tempo, elevar exportações e diversificar parceiros. A estratégia inclui evitar acordos de exclusividade e ampliar o leque de cooperação tecnológica e industrial, num mercado considerado estratégico para cadeias de energia, defesa e alta tecnologia.
O pacto sobre minerais críticos será um dos onze instrumentos a serem assinados entre 18 e 21 de fevereiro. Nos dois primeiros dias, Lula participa da ‘Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial’; nos dois seguintes, cumpre agenda de visita de Estado. Entre os demais documentos previstos estão a ‘Associação Digital para o Futuro’ e a ampliação do prazo de vistos de turismo de cinco para 10 anos.
Outro destaque é o acordo para impulsionar a colaboração entre a Embraer e a Adani Defence & Aerospace, com foco na construção de aeronaves no país asiático. A iniciativa sinaliza a tentativa de aproximar cadeias produtivas e estimular investimentos cruzados em setores de maior valor agregado.
Conselho
Na frente comercial, o governo brasileiro pretende usar a viagem para destravar negociações de ampliação do acordo de comércio preferencial entre o Mercosul e a Índia, uma das prioridades do bloco sul-americano para os próximos meses.
A agenda política inclui encontro bilateral com o primeiro-ministro Narendra Modi e um jantar oferecido pela presidente Droupadi Murmu.
— Lula e o primeiro-ministro Modi terão oportunidade de intercambiar impressões sobre a conjuntura mundial, em particular os desafios ao multilateralismo e ao comércio internacional — resumiu Klebank, referindo-se ao ambiente de tensões comerciais globais.
Os dois países também devem reiterar posições comuns sobre a reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, instância à qual Brasil e Índia aspiram ingressar como membros permanentes.