A coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, disse que o resultado não indica uma piora do cenário e é relativamente natural para o período.
Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro
A taxa de desemprego subiu a 5,8% no Brasil no trimestre até abril, após marcar 5,4% nos três meses encerrados em janeiro, que servem de base de comparação, afirmou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com a leve alta nesse recorte, o patamar de 5,8% é o menor para o intervalo até abril na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012.

O resultado ficou levemente abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 6%, segundo a agência norte-americana de notícias Bloomberg. O desemprego costuma aumentar nos meses iniciais do ano. Isso é explicado pelo retorno à busca por trabalho após o fim de vagas temporárias em parte das atividades da iniciativa privada e do serviço público.
Atividades
A coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, disse que o resultado não indica uma piora do cenário e é relativamente natural para o período.
— O aumento da desocupação nesse trimestre móvel decorre essencialmente de comportamento sazonal de algumas atividades, tais como comércio e serviços pessoais, que, após aquecimento no final de 2025, não retêm parcela de seus trabalhadores — afirmou Beringuy.
A desocupação já estava em 6,1% até março, mas o IBGE evita a comparação direta dos números entre trimestres com meses repetidos. É o caso dos intervalos finalizados em março e abril.
Estatísticas
A Pnad abrange o mercado de trabalho formal, com carteira assinada ou CNPJ, e o setor informal, sem esses registros. As estatísticas consideram a população de 14 anos ou mais. Uma pessoa sem emprego precisa estar à procura de oportunidades para ser considerada desempregada na pesquisa. Não basta só não trabalhar.
O IBGE estimou a população desempregada em 6,3 milhões. Isso representa um crescimento de 8% (ou mais 471 mil pessoas) na comparação com o trimestre até janeiro (5,9 milhões). O cenário é diferente no confronto com igual trimestre do ano passado (7,1 milhões). Nesse recorte, houve queda de 11,3% (menos 809 mil).
Já a população ocupada com algum tipo de trabalho foi de 102,3 milhões até abril.
Intervalo
Teve redução de 0,3% (menos 338 mil) frente ao trimestre até janeiro (102,7 milhões) e aumentou 1,1% (mais 1,1 milhão) em relação ao mesmo intervalo do ano anterior (101,3 milhões).
— Os dados ainda apontam para um mercado bastante robusto, mas que parece ter passado do pico, com a direção apontando para pioras na margem em meio ao continuado aperto monetário e choque de preços de energia — disse André Valério, economista sênior do banco Inter, em referência aos juros altos e ao aumento de preços após a guerra no Irã.
Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, a Pnad sugere que, nos últimos meses, o desemprego ficou praticamente estável em um nível historicamente baixo para os padrões do Brasil.