Rio de Janeiro, 18 de Julho de 2026

Mudanças climáticas pressionam pecuária a adotar sistemas eficazes, no campo

s alterações climáticas já afetam diretamente setores dependentes de recursos naturais, como a pecuária de corte, um dos pilares do agronegócio brasileiro.

Sábado, 18 de Julho de 2026 às 17:41, por: CdB

s alterações climáticas já afetam diretamente setores dependentes de recursos naturais, como a pecuária de corte, um dos pilares do agronegócio brasileiro.

Por Redação, com ACS – de São Paulo

As mudanças climáticas que resultaram na seca de 2024, um dos anos mais críticos das últimas quatro décadas, trazem impactos concretos à pecuária brasileira e aceleram a busca por sistemas produtivos mais resilientes. Diante da previsão de retorno do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico e à alteração dos padrões de chuva, produtores intensificam estratégias para preservar a produtividade e reduzir riscos no campo. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam que o país enfrentou, em 2024, um dos períodos mais secos das últimas quatro décadas, cenário que tende a se repetir em ciclos climáticos adversos.

gado,confinamento
O confinamento exige estruturas adequadas para gerir o rebanho

As alterações climáticas já afetam diretamente setores dependentes de recursos naturais, como a pecuária de corte, um dos pilares do agronegócio brasileiro. Estudo do Climate Policy Initiative – ligado à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) – e do projeto Amazônia 2030, mostra que os incêndios florestais de 2024, agravados pelo El Niño, causaram perdas de R$ 14,7 bilhões ao campo, sendo R$ 8 bilhões relacionados diretamente à pecuária e às pastagens.

— Embora os incêndios sejam a face mais visível dos eventos extremos, os efeitos da seca começam antes e comprometem a base da produção. A escassez de chuva reduz a qualidade nutricional das pastagens e limita a disponibilidade de alimento. Diante disso, o produtor precisa ajustar o manejo para manter o desempenho do rebanho — afirmou Bruno Nolasco, gerente de negócio agro da Belgo Arames.

 

Dieta

A pressão sobre as pastagens tem levado ao avanço do confinamento como alternativa para garantir oferta alimentar adequada. O sistema permite dieta balanceada, favorece o ganho de peso e reduz o tempo até o abate. Também contribui para maior previsibilidade da produção e melhor uso das áreas disponíveis. Os resultados do confinamento, no entanto, dependem de fatores como planejamento nutricional, disponibilidade de água, manejo sanitário e infraestrutura adequada. Em operações com maior número de animais, a organização dos espaços e o controle dos lotes tornam-se ainda mais relevantes.

— A infraestrutura é um elemento-chave para a eficiência do sistema. Cercamentos bem planejados contribuem para a organização da operação, reduzem o estresse dos animais e ajudam a evitar perdas e acidentes — acrescentou Nolasco.

Além de delimitar áreas e apoiar o manejo, os sistemas de cercamento têm papel direto na segurança do rebanho e na rotina operacional. Materiais de maior resistência favorecem a estabilidade das estruturas e reduzem a necessidade de intervenções frequentes. A mesma lógica se aplica às estruturas de sombreamento utilizadas nos confinamentos, cada vez mais importantes para promover conforto térmico e bem-estar animal em períodos de temperaturas elevadas. A sustentação dessas coberturas exige materiais resistentes e duráveis, “capazes de suportar as condições do ambiente rural ao longo do tempo”, resume o gerente.

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