O Exército Russo registra avanços em várias direções da frente e, em alguns setores, ultrapassou a primeira linha defensiva ucraniana.
Por Redação, com Europa Press – de Moscou
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, Valeri Gerasimov, afirmou nesta quinta-feira que as tropas russas estão avançando em várias frentes em sua ofensiva contra o leste da Ucrânia, especificamente na região de Donetsk, onde os combates se concentram no eixo entre as cidades de Sloviansk e Kramatorsk.

– Os agrupamentos de tropas continuam cumprindo as tarefas da chamada operação militar especial. A ofensiva prossegue sem diminuir sua intensidade em todas as frentes – afirmou o mais alto responsável militar russo em um comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa.
Dessa forma, ele destacou que o Exército Russo registra avanços em várias direções da frente e, em alguns setores, ultrapassou a primeira linha defensiva ucraniana.
Gerasimov destacou que a ofensiva continua em direção a Sloviansk, uma campanha na qual a Rússia tomou as localidades de Piskunovka, Pershomaryovka e Orekhovatka. “Os combates nas ruas continuam em Nikoláyevka e Nikanórovka. Os arredores orientais de Sloviansk ficam a quatro quilômetros”, indicou ele.
Quanto à ofensiva a leste de Kramatorsk, Moscou afirma que está destruindo posições ucranianas graças aos seus grupos avançados de unidades de assalto, que combatem em um aeródromo a poucos quilômetros dos arredores da cidade. “Está sendo utilizado fogo de longo alcance contra as rotas logísticas utilizadas pelo inimigo para abastecer sua guarnição”, afirmou.
Com relação ao flanco esquerdo nesse mesmo avanço, a Rússia destaca que parte de suas forças permanece ativa nas áreas urbanas de Alekseevo-Druzhkivka, perto de Severodonetsk. “Controlamos aproximadamente metade da localidade”, afirmou Gerasimov.
Nesse sentido, ele ressaltou que a Ucrânia não está obtendo “resultados tangíveis no terreno”, por isso denunciou que Kiev tenta “convencer seus parceiros ocidentais” de sucessos na região de Zaporiyia, no que classificou como uma “campanha propagandística”.
Da mesma forma, ele ressaltou que o Exército ucraniano tem como “objetivo estratégico” manter o controle sobre a parte restante do Donbass, por isso indicou que Kiev “construiu e continua aprimorando uma defesa profundamente escalonada” no setor de Severodonetsk e mantém “uma infraestrutura de transporte desenvolvida e um sistema de fortificações” entre os grandes centros populacionais de Donetsk, como as localidades de Sloviansk, Kramatorsk e Druzhkivka.
Reino Unido
As autoridades russas afirmaram nesta quinta-feira que o país poderia atacar alvos no Reino Unido em resposta ao uso, por parte das forças ucranianas, de mísseis britânicos para bombardear território russo; por isso, pediram a Londres que se mantenha à margem e “cesse suas ações hostis”.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, denunciou, durante uma coletiva de imprensa, a “postura agressiva de Londres em relação a Moscou”, o que “poderia levar a um aumento da violência e a uma intensificação do conflito, levando-o a um novo patamar”.
– Pedimos a todos os residentes do Reino Unido que levem em conta que haverá consequências catastróficas e inevitáveis decorrentes das ações de seu próprio governo e instamos as autoridades do país a analisarem profundamente a situação e abandonarem essa política hostil e agressiva que apenas prolonga a agonia do regime neonazista ucraniano e cria riscos de escalada – afirmou.
Nesse sentido, esclareceu que “já foi alertado repetidas vezes que qualquer equipamento e instalação britânica na Ucrânia e fora do país pode ser alvo em caso de resposta aos ataques que Kiev perpetra com armas britânicas contra nosso território”.
– Aqueles que forem culpados de cometer crimes de guerra, inclusive contra a população civil russa, serão punidos por suas ações – afirmou, segundo informou à agência russa de notícias TASS.
Além disso, indicou que a Rússia “continua monitorando a transferência desse tipo de armamento” para a Ucrânia, bem como “qualquer tecnologia que possa permitir a montagem posterior de mísseis” de forma independente.
– O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, enfatizou a continuidade da política antirussa de Londres e confirmou que o Reino Unido não apenas transferiu armamento de longo alcance para as Forças Armadas ucranianas, mas também forneceu a Kiev os dados tecnológicos para a montagem independente de mísseis de cruzeiro ‘Storm Shadow’ em fábricas ucranianas – lamentou.
Nessas fábricas, especificou Zakharova, “a mão de obra é mais barata do que na Europa”. “Abordaremos esse tema com mais detalhes posteriormente, como já prometi. Vale mencionar que o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou anteriormente uma transferência de tecnologia semelhante, embora não tenha tido tempo de implementá-la”, afirmou ela. “É claro que estamos acompanhando de perto todos esses acontecimentos”, acrescentou.
– Está claro que, ao transferir componentes diretamente para a Ucrânia, a França e o Reino Unido buscam se isentar da responsabilidade pelos ataques que ocorrem em nosso país. Isso não vai funcionar. Paris, Londres, Berlim e outras capitais têm responsabilidade direta por esses ataques terroristas – concluiu.