Rio de Janeiro, 27 de Maio de 2026

Mortes durante operação da PM provocam protesto e bloqueio da BR-101

Duas mortes durante ação da PM em São Gonçalo provocam protestos e bloqueio da BR-101. Moradores afirmam que vítimas eram pedreiros a caminho do trabalho.

Quarta, 27 de Maio de 2026 às 13:14, por: CdB

Moradores afirmam que vítimas eram pedreiros e estavam a caminho do trabalho nesta quarta-feira.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Uma ação policial terminou com dois homens mortos no Jardim Catarina, em São Gonçalo, Região Metropolitana, na manhã desta quarta-feira. Segundo relatos de moradores, as vítimas eram pedreiros e estavam com ferramentas de obra quando foram baleadas durante uma operação do 7º BPM (São Gonçalo). Revoltados, moradores fecharam a BR-101 em protesto, na altura do município.

Mortes durante operação da PM provocam protesto e bloqueio da BR-101 | Operação da PM termina com mortos e fechamento da BR-101 em São Gonçalo
Operação da PM termina com mortos e fechamento da BR-101 em São Gonçalo

Segundo as informações iniciais, Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos e Edivan Felipe de Assis, de 46 estavam em uma motocicleta quando foram atingidos, por volta de 7h na Avenida Doutor Albino Imparato, em frente a Igreja Universal.

Os corpos seguiram para o Instituto Médico-Legal (IML) do município, em Tribobó.

Vítimas  

Após a ocorrência, enquanto os agentes aguardavam a chegada da perícia, moradores revoltados protestaram e gritaram contra a atuação policial. “Eles eram pedreiros, se conheciam. Estavam com marmita na mochila!”, diz um homem no local. 

De acordo com informações preliminares, a morte ocorreu durante uma ação da Polícia Militar. Em áudios divulgados, é possível ouvir a sequência de disparos na região. Em outro vídeo divulgado, um policial conversa com um dos moradores: “O Caveirão que veio, não veio para tirar os corpos. Não veio. O local está preservado, não vai ser mexido. A DH chegando, ela vai mexer”, diz o agente.

No mesmo vídeo, um morador questiona a conduta dos policiais: “Dois trabalhadores, imagina se fosse um da família de vocês? Se fosse o teu irmão, o senhor ia gostar?”, diz.

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHSGNI) informou que foi acionada para investigar as mortes. A ocorrência está em andamento. 

Ainda não há informações sobre velório e sepultamento das vítimas.

O que diz a PM?

A Polícia Militar disse em nota que, “de acordo com comando do 7º BPM (São Gonçalo), um procedimento apuratório segue em curso para averiguar todas as circunstâncias na qual policiais militares atingiram dois homens em  uma motocicleta, durante ocupação na localidade de Ipuca, na manhã desta quarta-feira.”

A corporação disse ainda que lamenta a morte do Marcelo da Cruz Silva e do Edivan Felipe de Assis e ressaltou que “preza pela transparência de suas ações colaborando integralmente com as investigações do caso.”

Segundo a tenente-coronel da Polícia Militar Cláudia Moraes, os policiais envolvidos na ocorrência estão sendo ouvidos pela Delegacia de Homicídios e, posteriormente, prestarão depoimento à Polícia Militar. As câmeras corporais dos agentes também foram recolhidas para perícia.

Protestos

Após as mortes, moradores realizaram um protesto às margens da BR-101 e incendiaram pneus na altura do km 306 da rodovia, no sentido Rio. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ato foi controlado, mas os manifestantes permaneceram na pista. Às 9h55, a via chegou a ser totalmente interditada. Posteriormente, às 10h02, o trânsito estava parcialmente liberado e às 11h30 o trânsito foi liberado.

Mais tarde, por volta das 12h15, manifestantes tentaram bloquear novamente a via com móveis e objetos espalhados pela pista. Durante o protesto, um dos envolvidos entrou em um ônibus que circulava pela BR-101, retirou a chave do coletivo e fugiu.

A situação provocou correria na região. Policiais que preservavam o local para a realização da perícia efetuaram disparos com balas de borracha para dispersar os manifestantes. Os passageiros do ônibus invadido foram transferidos para outro coletivo.

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