Considerado um dos nomes mais importantes do jornalismo brasileiro, Ventura teve uma carreira de mais de seis décadas na imprensa.
Por Redação, com ANSA – do Rio de Janeiro
O jornalista e escritor Zuenir Ventura, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), morreu nesta terça-feira, aos 95 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro, após não resistir a uma pneumonia, informou a própria ABL.

Considerado um dos nomes mais importantes do jornalismo brasileiro, Ventura teve uma carreira de mais de seis décadas na imprensa e ficou conhecido pela cobertura de acontecimentos políticos e de temas sociais que marcaram a história recente do país.
Segundo a imprensa brasileira, o velório será realizado na quarta-feira, na sede da ABL, no Rio de Janeiro. O escritor será enterrado no mausoléu dos imortais.
Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, com quem era casado havia mais de cinco décadas, e os dois filhos do casal, o jornalista Mauro e a editora Elisa.
Natural de Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir Ventura era bacharel e licenciado em Letras Neolatinas. Ingressou no jornalismo em 1956, como arquivista, e, nos anos seguintes, passou por diferentes funções e veículos de comunicação.
No início da década de 1960, recebeu uma bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. Entre 1963 e 1969, trabalhou como editor internacional do Correio da Manhã, diretor de redação da revista Fatos & Fotos, chefe de reportagem de O Cruzeiro e editor-chefe da sucursal carioca da revista Visão.
Em 1971, retornou à Visão, onde permaneceu até 1977. Depois, trabalhou na Veja, na IstoÉ e no Jornal do Brasil. Também foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Ao longo da carreira, também atuou como colunista do diário conservador carioca O Globo.
Um dos trabalhos mais conhecidos de Ventura foi o livro 1968 – O ano que não terminou, publicado em 1988. A obra revisita acontecimentos políticos e culturais do ano que marcou a história brasileira e tornou-se uma referência sobre o período.
O livro também inspirou a minissérie Anos Rebeldes, produzida pela TV Globo. O capítulo Um herói solitário serviu de inspiração para o filme O homem que disse não, realizado pelo cineasta Olivier Horn para a televisão francesa.
Em 1989, Zuenir publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens O Acre de Chico Mendes, trabalho que recebeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog.
A relação do jornalista com temas sociais também marcou sua produção literária. Em 1994, lançou Cidade partida, livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro que recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem.
Entre outras obras, publicou Chico Mendes – Crime e Castigo, O Rio de J. Carlos, Inveja – Mal Secreto, 70/80 Cultura em trânsito – da repressão à abertura, em parceria com Heloísa Buarque de Hollanda e Elio Gaspari, além de Minhas histórias dos outros, 1968 – o que fizemos de nós e Conversa sobre o tempo, com Luis Fernando Verissimo. Seu livro mais recente foi o romance Sagrada Família.
ONU
A trajetória de Ventura recebeu reconhecimento no Brasil e no exterior. Em 2008, a Organização das Nações Unidas (ONU) concedeu ao jornalista um troféu especial por sua contribuição à defesa dos direitos humanos no país nas três décadas anteriores.
Em 2010, foi escolhido Jornalista do Ano pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros. Seu trabalho também foi elogiado por publicações internacionais.
Ao comentar a série de reportagens sobre Chico Mendes e a Amazônia, a The New York Review of Books o classificou como um dos grandes jornalistas brasileiros.
A revista britânica The Economist também destacou sua capacidade de observar e interpretar o Brasil.
Em 2022, aos 91 anos, Zuenir recebeu o “Prêmio Faz Diferença”, na categoria livros, pelo lançamento da versão ampliada de Minhas histórias dos outros. Na obra, reuniu histórias e lembranças de personalidades como Glauber Rocha, Nelson Rodrigues, Betinho e Carlos Drummond de Andrade.
Zuenir Ventura foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 30 de outubro de 2014, sucedendo o escritor Ariano Suassuna na Cadeira nº 32. Tomou posse em 6 de março de 2015, recebido pela acadêmica Cleonice Berardinelli.