A estratégia também busca melhorar o ambiente político entre Executivo e Legislativo. Em meio à aproximação do calendário eleitoral, governistas avaliam que o tratado pode ajudar a reduzir tensões.
Por Redação – de Brasília
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende iniciar o ano legislativo, na retomada dos trabalhos após o recesso, com a análise do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). Na avaliação de assessores do Palácio do Planalto, a pauta pode funcionar como um ponto de convergência entre parlamentares de diferentes espectros ideológicos.

A estratégia também busca melhorar o ambiente político entre Executivo e Legislativo. Em meio à aproximação do calendário eleitoral, governistas avaliam que o tratado pode ajudar a reduzir tensões e, ao mesmo tempo, adiar discussões sensíveis ao Planalto que enfrentam resistência interna.
Interlocutores do presidente têm dito à mídia conservadora que o acordo com a UE também representa uma sinalização direta à bancada do agronegócio, tradicionalmente mais crítica ao governo Lula e com forte representação no Congresso. A expectativa é que o segmento seja beneficiado pela ampliação do acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu, o que pode contribuir para uma relação mais pragmática entre o Executivo e esses parlamentares.
Livre comércio
Na base aliada ao governo, está claro que a priorização do tratado pode empurrar para um segundo momento votações que tendem a resultar em derrotas para o governo, como a análise do veto presidencial ao projeto que altera regras de dosimetria penal e reduz penas do ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados no golpe de Estado fracassado em 8 de janeiro de 2023.
O acordo UE-Mercosul cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, após mais de duas décadas de negociações. O texto prevê a eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral. Do lado europeu, há estímulo às exportações de automóveis, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas. Em contrapartida, o tratado facilita a entrada de produtos sul-americanos como carne, açúcar, arroz, mel e soja no mercado europeu.
Acordo
Na semana passada, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que trabalha com a expectativa de que o Congresso brasileiro conclua a análise do acordo ainda no primeiro semestre.
— Assinado, o Parlamento Europeu aprova a sua Lei e nós, no Brasil, aprovamos a lei internalizando o acordo. A gente espera que aprove a Lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo — afirmou Alckmin na semana passada, durante entrevista a jornalistas.
Entre governistas, a percepção é de que o tratado não deve enfrentar grandes resistências, com exceção de setores específicos da oposição. Um integrante do Planalto avalia que o momento também pode ser utilizado para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional, em um contexto de tensões internacionais envolvendo países latino-americanos.