O clube de nações foi apresentado inicialmente como parte do cessar-fogo na Faixa de Gaza, mas passou a ter escopo mais amplo.
Por Redação – de Brasília
O presidente Lula conversou por telefone, na manhã desta quinta-feira, com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. A ligação ocorre em meio às articulações do governo brasileiro após o anúncio do Conselho da Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A iniciativa é vista com desconfiança por países como Brasil, França, Rússia e Canadá, que sequer foi convidado; além do Reino Unido.

O clube de nações foi apresentado inicialmente como parte do cessar-fogo na Faixa de Gaza, mas passou a ter escopo mais amplo. O governo brasileiro avalia que o conselho pode esvaziar o papel da Organização das Nações Unidas (ONU) como instância central de negociação internacional.
O Brasil ainda avalia se participará do grupo. A diplomacia brasileira tem buscado conversar com outros países convidados antes de tomar uma posição. Lula falou nesta semana com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que já aceitou integrar o conselho.
Turquia
A Índia também foi convidada a participar do órgão criado por Trump, mas também não anunciou publicamente sua decisão. Brasil e Índia são parceiros no BRICS, o grupo de países de economia emergente, e mantêm interlocução frequente em fóruns multilaterais. Lula está com viagem marcada para visitar Nova Déli em fevereiro.
Na quarta-feira, em conversa com Erdogan os líderes falaram sobre a situação na Faixa de Gaza. A iniciativa dos EUA esbarra em aspectos jurídicos e políticos, mas a Turquia, por sua vez, já aceitou o convite de Trump, junto ao Paquistão e outras nações convidadas.
O conselho criado por Trump, no entanto, não é citado na nota do governo que informa sobre a conversa entre os líderes.
Experiência
Na conversa, o presidente turco parabenizou Lula pelo exercício das presidências do Brasil no G20 e na COP30. Sobre esse último tema, Erdogan manifestou interesse na experiência brasileira para a organização da próxima conferência do clima, que será sediada pela Turquia neste novembro.
Lula e Erdogan também conversaram sobre temas da agenda bilateral e sobre a necessidade de ampliar e diversificar o comércio bilateral, o qual alcançou mais de 5,5 bilhões de dólares, em 2025.
Ambos concordaram em organizar reuniões entre os setores privados dos dois países. Erdogan manifestou ainda a disposição de investir no Brasil por meio das empresas turcas, em especial no setor de infraestrutura.