Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

Lula e o fim da Dinastia Bolsonaro

Por Rui Martins - Felizmente, o criador da programada dinastia, o pai Jair, além de bronco e inculto, é nota zero em termos de articulação, previsão e...

Quinta, 29 de Outubro de 2026 às 12:38, por: Rui Martins

Não me lembro bem onde li, mas o autor, criticando a fuga do ex-candidato quase presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, ironizava o fato do 01 ter saído na surdina, escondido como um bandido, disfarçado em guarda-chuva. Realmente, sair do Brasil às escondidas não foi um ato de coragem mas de pura covardia, definindo seu caráter de um poltrão e medroso.

Por Rui Martins, editor do Direto da Redação
Flávio fugiu como um bandido
or do Direto da Redação
Fugiu só com o susto da Polícia Federal lhe ter pedido o passaporte, sem ter sequer começado um processo, mas temendo o fim de sua imunidade parlamentar ao terminar seu mandato de senador.
Felizmente, o criador da programada dinastia, o pai Jair, além de bronco e inculto, é nota zero em termos de articulação, previsão e programação política. Se tivesse entregado as rédeas da família ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, talvez o bolsonarismo não estaria hoje no necrotério. O raposão tinha dois outros candidatos, recusados por Jair, atraído pela idéia de criar no Brasil uma Dinastia Bolsonaro, capaz de ficar no poder por algumas dezenas de anos.
Felizmente para a democracia brasileira, a proposta de Valdemar do PL foi rejeitada. A dobradinha seria Tarcísio de Freitas, formação militar, entreguista e também golpista, com Michelle Bolsonaro como vice, a evangélica anti-feminista, que falava línguas estranhas na posse do terrivelmente evangélico André Mendonça, o vaidoso que encobriu sua calvície prematura com implante de cabelos, segurou o quanto pôde as investigações sobre as ligações de Flávio Bolsonaro (ou melhor Rachadinha) com o banqueiro Daniel Vorcaro .
Seria difícil uma vitória de Lula sobre Tarcísio-Michelle. E a história seria outra: a do Brasil virar uma republiqueta, cujo primeiro ato seria o de libertar Jair e os depredadores do 8 de janeiro de 2023.
Valdemar, que já reconheceu a vitória de Lula, Michelle eleita senadora e Tarcísio reeleito e já pensando em 2030 sem compromisso com Jair, devem estar rindo. Jair, ao contrário, deve estar se mordendo, ao ver desmoronado seu ambicioso projeto de Dinastia e desfeita sua esperança de recuperar a liberdade em janeiro, subindo a rampa do Planalto com seu primogênito.

A ilusão de Flávio

Todos se lembram da ilusão e da vaidade de Flávio, julgando-se já eleito presidente com os resultados do Primeiro Turno. O molecão mimado, amigo de milicianos, mestre na arte da mentira e corrupção, já nomeava ministros e dizia – imagina-se com o apoio do ministro Nunes Marques – vou subir a rampa com meu pai. Seria uma reatualização de uma velha frase de Getúlio Vargas, que fez época e inspirou gerações de políticos: “a lei, ora a lei”.

Mas nunca se deve contar com o ovo ainda na galinha! Para estragar o sonho bolsonarista, os idosos, cadeirantes, indecisos se mobilizaram no Exército de Lula, do André Janones e foram votar, derrotando o miliciano.

Disso, Flávio vai sempre se lembrar, sentado numa cadeira de preguiça numa praia protegida e privatizada de Miami, já naturalizado cidadão norteamericano logo depois de seu irmão Eduardo. Exceto, exceto se, depois do governo catastrófico de Trump, os democratas retornarem ao poder e retirarem os vistos de permanência dos Bolsonaros nos EUA, antes de se terem naturalizado norte-americanos!

Moraes e Dino esperando

Neste caso, repatriados os dois irmãos serão recebidos com foguetes e festas pelos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, para cumprirem as penas já pronunciadas em suas ausências. Talvez Tarcísio, se eleito em 2030, os liberte, inclusive o pai, mas sabe-se lá… Sem Tarcísio, em prisão especial ou domiciliar, serão esquecidos e se transformarão numa daquelas curiosidades da nossa história.

Referências inspiradoras:
A fuga de Flávio https://correiodobrasil.com.br/a/fuga-flavio-bolsonaro-repercute-midia-europeia

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/valdemar-admite-que-chapa-tarcisio-e-michelle-era-vista-como-ideal-antes-de-flavio-bolsonaro/

https://www.brasildefato.com.br/2026/10/28/o-exercito-do-lula-e-a-revolucao-da-militancia-digital/

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

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