Rio de Janeiro, 20 de Abril de 2026

Lula: o Brasil não quer mais ser tratado como ‘país do Terceiro Mundo’

Em discurso na Hannover Messe, Lula defende que o Brasil tem uma economia estável e busca ser tratado como uma nação de destaque no cenário global.

Segunda, 20 de Abril de 2026 às 20:00, por: CdB

O presidente afirmou, ainda, que o Brasil “tem uma economia razoavelmente estável e conquistou muita credibilidade nos últimos anos”.

Por Redação, com ABr – de Hannover (Alemanha)

O Brasil não aceita mais ser “tratado como um país do terceiro mundo”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira, em discurso na abertura do estande nacional na Hannover Messe, maior feira de tecnologia industrial do mundo, na cidade alemã de Hanôver.

Lula: o Brasil não quer mais ser tratado como ‘país do Terceiro Mundo’ | O presidente Lula conversa com empresários brasileiros e alemães, na Feira de Hannover
O presidente Lula conversa com empresários brasileiros e alemães, na Feira de Hannover

Segundo o presidente, o Brasil é uma nação do Sul Global que tem “muito interesse em fazer com que a aliança com a Europa seja cada vez mais produtiva, eficaz e capaz de proporcionar ao povo brasileiro a perspectiva de um futuro mais promissor”.

— Nós estamos falando de um país que cansou de ser pequeno. Um país que cansou de ser um país em vias de desenvolvimento. Um país que cansou de ser tratado como um país do terceiro mundo. Um país que cansou de ser tratado como invisível — discursou.

Invisível

O presidente afirmou, ainda, que o Brasil “tem uma economia razoavelmente estável e conquistou muita credibilidade nos últimos anos”, e a Hannover Messe é uma oportunidade de o país mostrar que “quer se transformar em uma economia rica”.

— Nós temos uma boa base intelectual, nós temos uma boa base tecnológica, nós temos empresas extraordinárias como a Petrobras, nós temos empresas como a Embraer, que é a terceira maior produtora de avião do mundo — acrescentou.

Além disso, alertou que a revolução digital está “induzindo a humanidade a ter um comportamento totalmente diferente daquilo para o qual foi criada, que é conviver em comunidade e harmonia”.

— A humanidade está virando algoritmo. Eu fico olhando as pessoas nos encontros, e elas estão no celular e não estão prestando atenção naquilo que você está falando. Ou seja, a era do argumento acabou — pontuou.

 

Livre comércio

Ainda em seu discurso, Lula pediu que os setores favoráveis ao acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia façam ouvir sua voz para garantir que o tratado seja implementado de forma permanente. O pacto comercial entrará em vigor de maneira provisória em 1º de maio, após ter sido ratificado pelos quatro países do Mercosul, mas ainda enfrenta resistência na UE, sobretudo no setor agropecuário e em Estados-membros como a França.

— O acordo entre Mercosul e União Europeia é um instrumento essencial para melhorar o nosso comércio — adiantou.

Após três décadas de negociações, o tratado entra em vigor a partir do dia 1º de maio.

— Conto com o engajamento do setor privado para garantir que a vigência provisória do acordo seja transformada em permanente. Precisamos que os setores favoráveis ao acordo falem mais alto que os que se opõem, sobretudo na Europa. É hora de garantir que ele gere benefícios a trabalhadores, empresas e consumidores diante de um cenário internacional muito turbulento e incerto — observou.

O discurso foi pronunciado na presença do chanceler alemão, Friedrich Merz, um dos principais defensores do acordo Mercosul-UE no bloco europeu. Lula ainda aproveitou a ocasião para criticar o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (Cbam) da União Europeia, que entrou em vigor em 1º de janeiro e taxa importações de produtos com grande emissão de CO2, como aço, alumínio, cimento e fertilizantes.

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