Rio de Janeiro, 12 de Junho de 2026

Alimentos e conta de luz elevam inflação para muito além do esperado

A inflação de maio chegou a 0,58%, impulsionada por alimentos e contas de luz, superando as expectativas do mercado. Entenda os impactos e as projeções.

Sexta, 12 de Junho de 2026 às 21:16, por: CdB

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p) para mais ou para menos.

Por Redação – do Rio de Janeiro

O preço dos alimentos e das contas de luz pressionou o bolso dos brasileiros em maio e representou metade da inflação, que variou 0,58%, no mês passado. O resultado mostra que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) perdeu força em relação aos dois meses anteriores. Entretanto, fez com que o acumulado de 12 meses chegasse a 4,72%, saindo do limite de tolerância estipulado pelo governo.

Energia
Muitas famílias passam necessidades apenas para manter a luz acesa

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p) para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. 

Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). O teto é descumprido se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

 

Limite

A última vez que o acumulado de 12 meses ficou fora do limite havia sido em outubro de 2025, quando marcou 4,68%.

Veja o comportamento da inflação mensal ao longo de 2026:

Maio: 0,58%

Abril: 0,67%

Março: 0,88%

Fevereiro: 0,70%

Janeiro: 0,33%

O IPCA de maio ficou bastante acima da estimativa do mercado financeiro. O Boletim Focus da última segunda-feira, pesquisa do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, projetava a inflação de maio em 0,48%. Para o fim de 2026, a projeção vai a 5,11%.

 

Alimentos

O IBGE apura o comportamento de nove grupos de preços. O que mais subiu foi o de alimentação e bebidas, com alta de 1,33%. Isso representa impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA do mês, ou seja, metade da inflação de maio.

Itens que mais impactaram o índice:

batata-inglesa (+44,69% e impacto de 0,09 p.p.);

tomate (20,62% e 0,06 p.p.);

carnes (+1,39% e 0,04 p.p.);

cebola (+16,80% e 0,02 p.p.).

Maio foi o terceiro mês seguido com a inflação dos alimentos acima de 1%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o grupo alimentação e bebida sobe 4,81%. Observando especificamente para meses de maio, a taxa de 2026 (1,33%) é a maior desde 2015 (1,37%).

 

Energia

O segundo grupo que mais pressionou a inflação foi o da habitação, que subiu 1,22% e representou impacto de 0,18%. A explicação está no preço da energia elétrica residencial, com alta de 3,67%. A conta de luz foi o custo individual que mais elevou a inflação no mês passado, com impacto de 0,15 p.p.

O IBGE monitorou reajustes contratuais na conta de luz em seis regiões: Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte. O IPCA é um índice nacional, mas os impactos regionais entram na média da inflação do país.

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