Rio de Janeiro, 03 de Abril de 2025

James Webb encontra carbono na poeira das estrelas mais antigas

O material é integrado à poeira estelar e, depois, é usado por estrelas de geração seguinte. Só que as galáxias com poeira de PAH parecem estar em uma área com 10 milhões de anos.

Quinta, 20 de Julho de 2023 às 14:27, por: CdB

O material é integrado à poeira estelar e, depois, é usado por estrelas de geração seguinte. Só que as galáxias com poeira de PAH parecem estar em uma área com 10 milhões de anos.


Por Redação, com Canaltech - de Washington

O telescópio James Webb encontrou os mais antigos grãos de poeira ricos em carbono. As partículas estão presentes em diferentes galáxias que existiram cerca de 1 bilhão de anos após o Big Bang, e podem ser pequenos grãos de grafite ou diamante, formados pelas primeiras estrelas e supernovas.

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O telescópio James Webb encontrou poeira com carbono em 10 diferentes galáxias antigas, que não teriam tempo suficiente para formar o elemento


A poeira foi encontrada durante observações espectrais do programa Advanced Deep Extragalactic Survey (JADES). Outras assinaturas observacionais foram encontradas em épocas mais recentes do universo, e parecem estar relacionadas aos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs). Eles são moléculas complexas formadas por carbono, e precisam de pelo menos algumas centenas de milhões de anos para se formarem.

Isso indica que, talvez, o Webb encontrou algum tipo diferente de molécula com carbono. "A pequena mudança no comprimento de onda de onde a absorção é mais forte sugere que podemos ter visto uma mistura diferente de grãos, talvez parecidos com diamante ou grafite", sugeriu Joris Witstok, autor principal do estudo.

Como os elementos absorvem e emitem luz em comprimentos de onda específicos, eles deixam marcações que são como impressões digitais visíveis na luz das estrelas e galáxias. No caso, a poeira com carbono foi revelada pela absorção de algumas frequências da luz ultravioleta, e intrigou os cientistas: afinal, como galáxias tão jovens são ricas no elemento?

A dúvida se deve aos modelos convencionais da evolução química do universo, que indicam que elementos pesados, como o carbono, são formados no interior das estrelas. Quando as primeiras delas esgotaram o combustível para a fusão nuclear e explodiram em supernovas, elas espalharam o material que produziram.

Poeira estelar


O material é integrado à poeira estelar e, depois, é usado por estrelas de geração seguinte. Só que as galáxias com poeira de PAH parecem estar em uma área com 10 milhões de anos, o que implica que deve haver algum método de formação e dispersão do carbono, e que ele deve acontecer durante uma escala de tempo relativamente curta.

A equipe destacou alguns mecanismos que podem explicar o que observaram na poeira. Por exemplo, talvez as partículas se formem nas supernovas das estrelas Wolf-Rayet, conhecidas por terem vidas curtas. Se tiverem tempo suficiente para se formarem e explodirem, elas poderiam distribuir poeira rica em carbono em menos de um bilhão de anos.

Mesmo assim, é difícil explicar completamente os resultados obtidos com a compreensão atual da formação da poeira cósmica. "Planejamos trabalhar além [deste estudo] com teóricos que modelam a produção de poeira e o crescimento nas galáxias", explicou Irene Shivaei, da Universidade do Arizona. "Isso vai ajudar a explicar a origem da poeira e dos elementos pesados no universo primordial", finalizou.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature.

 

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