A ameaça chega horas depois de o grupo xiita ter disparado cerca de 200 mísseis contra o território israelense, no maior bombardeio promovido pelo movimento desde o início do conflito.
Por Redação, com ANSA – de Jerusalém, Beirute
O governo de Israel ameaçou nesta quinta-feira tomar territórios no Líbano caso as autoridades do país não consigam evitar as atividades armadas do Hezbollah, aliado do Irã na guerra no Oriente Médio.

A ameaça chega horas depois de o grupo xiita ter disparado cerca de 200 mísseis contra o território israelense, no maior bombardeio promovido pelo movimento desde o início do conflito.
“Eu alertei o presidente do Líbano, Joseph Aoun, que se seu governo não souber como controlar o território e impedir o Hezbollah de abrir fogo contra Israel, tomaremos o território e faremos isso nós mesmos”, afirmou o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, durante uma reunião com generais das Forças Armadas do país.
“O Hezbollah lançou ontem pesados bombardeios contra o Estado de Israel, e o Exército respondeu com força”, acrescentou. Ao todo, o grupo xiita disparou cerca de 200 mísseis e 20 drones contra o norte israelense na última noite, segundo o porta-voz militar do país judeu, Nadav Shoshani.
Enquanto isso, uma fonte política de alto escalão do Hezbollah disse à ANSA que o movimento entrou “em uma nova fase da guerra” e está preparado “para todos os cenários”, incluindo a hipótese de um conflito de longa duração. “Para nós, trata-se de uma guerra existencial contra o inimigo”, declarou.
Os ataques israelenses contra o grupo xiita no Líbano já mataram mais de 630 pessoas e provocaram o deslocamento forçado de mais de 800 mil indivíduos.
Guerra no Líbano
Ministério da Saúde do Líbano confirmou na quarta-feira a morte de ao menos 588 pessoas e um número de 735 mil deslocados nos dez primeiros dias do conflito armado entre Israel e Hezbollah, iniciado no último dia 2.
Os mortos incluem civis, mulheres e crianças. De acordo com dados das Nações Unidas também divulgados hoje, mais de 1,4 mil pessoas ficaram feridas no país no mesmo período.
Na terça-feira, um novo ataque das forças israelenses fez pelo menos 28 vítimas no sul do Líbano. Segundo fontes médicas e equipes de resgate citadas pela imprensa, os bombardeios atingiram diversas áreas residenciais.
– Temos testemunhado movimentos em larga escala [no Líbano] em direção a áreas urbanas densamente povoadas, onde a capacidade de acolhimento já está no limite. E as vítimas continuam a aumentar – denunciou o chefe de assuntos humanitários da ONU, Tom Fletcher, durante a reunião do Conselho de Segurança nesta quarta.
No mesmo encontro, a chefe de Assuntos Políticos das Nações Unidas, Rosemary DiCarlo, exortou as partes à trégua.
– O Hezbollah deve cessar seus ataques contra Israel e cooperar com os esforços do governo para afirmar a plena autoridade do Estado, [enquanto] Israel deve interromper sua campanha militar no Líbano e retirar suas forças do território – declarou DiCarlo.
Ela reforçou ainda que “a soberania e a integridade territorial tanto do Líbano quanto de Israel devem ser respeitadas”.
– Todas as partes devem cumprir suas obrigações perante o direito internacional – concluiu.