Rio de Janeiro, 12 de Março de 2026

Israel ameaça ocupar áreas do Líbano se Hezbollah não for contido

Israel promete ocupar territórios libaneses se o Hezbollah não for contido, após ataque com 200 mísseis. Entenda a escalada do conflito.

Quinta, 12 de Março de 2026 às 10:33, por: CdB

A ameaça chega horas depois de o grupo xiita ter disparado cerca de 200 mísseis contra o território israelense, no maior bombardeio promovido pelo movimento desde o início do conflito.

Por Redação, com ANSA – de Jerusalém, Beirute

O governo de Israel ameaçou nesta quinta-feira tomar territórios no Líbano caso as autoridades do país não consigam evitar as atividades armadas do Hezbollah, aliado do Irã na guerra no Oriente Médio.

Israel ameaça ocupar áreas do Líbano se Hezbollah não for contido | Mulheres choram em funeral de familiares mortos em ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano
Mulheres choram em funeral de familiares mortos em ataques de Israel contra o Hezbollah no Líbano

A ameaça chega horas depois de o grupo xiita ter disparado cerca de 200 mísseis contra o território israelense, no maior bombardeio promovido pelo movimento desde o início do conflito.

“Eu alertei o presidente do Líbano, Joseph Aoun, que se seu governo não souber como controlar o território e impedir o Hezbollah de abrir fogo contra Israel, tomaremos o território e faremos isso nós mesmos”, afirmou o ministro israelense da Defesa, Israel Katz, durante uma reunião com generais das Forças Armadas do país.

“O Hezbollah lançou ontem pesados bombardeios contra o Estado de Israel, e o Exército respondeu com força”, acrescentou. Ao todo, o grupo xiita disparou cerca de 200 mísseis e 20 drones contra o norte israelense na última noite, segundo o porta-voz militar do país judeu, Nadav Shoshani.

Enquanto isso, uma fonte política de alto escalão do Hezbollah disse à ANSA que o movimento entrou “em uma nova fase da guerra” e está preparado “para todos os cenários”, incluindo a hipótese de um conflito de longa duração. “Para nós, trata-se de uma guerra existencial contra o inimigo”, declarou.

Os ataques israelenses contra o grupo xiita no Líbano já mataram mais de 630 pessoas e provocaram o deslocamento forçado de mais de 800 mil indivíduos.

Guerra no Líbano

Ministério da Saúde do Líbano confirmou na quarta-feira a morte de ao menos 588 pessoas e um número de 735 mil deslocados nos dez primeiros dias do conflito armado entre Israel e Hezbollah, iniciado no último dia 2.

Os mortos incluem civis, mulheres e crianças. De acordo com dados das Nações Unidas também divulgados hoje, mais de 1,4 mil pessoas ficaram feridas no país no mesmo período.

Na terça-feira, um novo ataque das forças israelenses fez pelo menos 28 vítimas no sul do Líbano. Segundo fontes médicas e equipes de resgate citadas pela imprensa, os bombardeios atingiram diversas áreas residenciais.

– Temos testemunhado movimentos em larga escala [no Líbano] em direção a áreas urbanas densamente povoadas, onde a capacidade de acolhimento já está no limite. E as vítimas continuam a aumentar – denunciou o chefe de assuntos humanitários da ONU, Tom Fletcher, durante a reunião do Conselho de Segurança nesta quarta.

No mesmo encontro, a chefe de Assuntos Políticos das Nações Unidas, Rosemary DiCarlo, exortou as partes à trégua.

– O Hezbollah deve cessar seus ataques contra Israel e cooperar com os esforços do governo para afirmar a plena autoridade do Estado, [enquanto] Israel deve interromper sua campanha militar no Líbano e retirar suas forças do território – declarou DiCarlo.

Ela reforçou ainda que “a soberania e a integridade territorial tanto do Líbano quanto de Israel devem ser respeitadas”.

– Todas as partes devem cumprir suas obrigações perante o direito internacional – concluiu.

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