Rio de Janeiro, 15 de Junho de 2026

Israel ameaça manter demolições no sul do Líbano

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anuncia a continuidade das demolições e controle militar no sul do Líbano, desafiando acordos internacionais.

Segunda, 15 de Junho de 2026 às 14:36, por: CdB

Katz declarou que os soldados israelenses vão manter as localidades da zonas ocupada esvaziadas e continuar demolindo vilarejos inteiros no sul do Líbano.

Por Redação, com RFI – de Beirute

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira que as forças israelenses permanecerão no Líbano, na Síria e em Gaza por tempo indeterminado, poucas horas depois de Estados Unidos e Irã concordarem em encerrar a guerra no Oriente Médio, incluindo no sul do Líbano.

Colunas de fumaça se elevam após um ataque israelense contra a cidade de Nabatiye, no sul do Líbano

Katz declarou que os soldados israelenses vão manter as localidades da zonas ocupada esvaziadas e continuar demolindo vilarejos inteiros no sul do Líbano, como ocorreu nos meses anteriores, destacou o jornal espanhol El País, acrescentando que hoje há mais de um milhão de deslocados na região. 

– O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e eu seguimos uma política clara, segundo a qual as Forças de Defesa de Israel (IDF) permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza por um período ilimitado, a fim de proteger a fronteira e as comunidades israelenses desses locais contra grupos jihadistas – declarou Israel Katz, em comunicado que não faz referência ao acordo entre EUA e Irã. 

– A área será esvaziada de moradores locais, e toda a infraestrutura terrorista, tanto acima quanto abaixo do solo, incluindo as casas nas aldeias da linha de frente, que serviam como bases de grupos armados, serão destruídas – disse Katz, em clara referência ao Hezbollah.

Israel

Para o ministro da Defesa, a manutenção do controle territorial e a preservação de zonas de segurança estão entre as maiores conquistas de Israel, e, por isso, ele justifica a sua oposição à retirada de suas tropas do Líbano, “apesar de todas as pressões existentes e das que ainda virão”, afirmou Katz, acrescentando que Netanyahu informou o presidente Donald Trump sobre essa posição. 

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, pediu que Israel interrompa todos os ataques contra o Líbano. Porém, Katz também advertiu o Irã de que, caso a República Islâmica ataque Israel em resposta à sua campanha no Líbano, Israel reagirá com “força total” em uma “demonstração de capacidades”. 

O ministro israelense de extrema direita responsável pela Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, criticou o acordo nesta segunda-feira e afirmou que Israel não está vinculado às decisões tomadas entre Irã e EUA. “O acordo de Trump não nos compromete. Não fazemos parte desse acordo. Ele não garante nossa segurança”, afirmou Ben Gvir em seu canal no Telegram.

– Não devemos nos contentar com nada que fique aquém do desmantelamento do Hezbollah. Não devemos nos retirar um único centímetro do território que nossos soldados conquistaram e libertaram das infraestruturas terroristas (no Líbano) – acrescentou.

– A campanha conjunta (Estados Unidos-Israel) obteve muitos sucessos ao enfraquecer o Irã, e esses resultados não foram em vão – declarou o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, em seu canal no Telegram.  “Teremos de continuar por conta própria a campanha para derrubar o regime, utilizando meios criativos, e garantir que o Irã nunca adquira armas nucleares”, acrescentou, defendendo o reforço da campanha militar no Líbano.

– É no Líbano que seremos julgados. É a nossa guerra, são os nossos soldados, e está em jogo a segurança imediata dos nossos habitantes do norte – concluiu. Apesar das divergências entre Israel, os EUA e o Irã, as reações de líderes mundiais ao acordo foram otimistas.

Repercussão 

A comunidade internacional recebeu de forma positiva o acordo anunciado na noite de domingo entre Estados Unidos e Irã. Líderes das principais instituições europeias expressaram alívio com o pacto e destacaram a necessidade de começar imediatamente a trabalhar pela reabertura “imediata” e “sem pedágio” do estreito de Ormuz. 

O governo espanhol também celebrou a notícia. O primeiro-ministro Pedro Sánchez espera que o acordo contribua para pôr fim ao conflito, que classificou como “absurdo”.

O presidente francês, Emmanuel Macron, advertiu na segunda-feira o Irã contra a imposição de pedágios ao tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, afirmando que “tudo” deve ser feito para que não sejam cobradas taxas pela passagem por esse importante ponto de estrangulamento marítimo.

À agência iraniana de notícias Fars informou anteriormente que Teerã acrescentou uma cláusula sobre a imposição de taxas de serviços marítimos ao acordo-quadro com os Estados Unidos para o fim da guerra no Oriente Médio, pouco antes de seu anúncio.

O Hezbollah segue insistindo para que o Líbano seja incluído no acordo para pôr fim ao conflito no Oriente Médio.

“O Hezbollah expressa sua profunda gratidão aos líderes, às forças e ao povo do Irã por seu apoio inabalável ao Líbano, ao seu povo e à sua resistência, e por sua insistência em que o Líbano seja incluído em qualquer acordo que leve à cessação da guerra”, afirmou o grupo radical xiita em comunicado.

O Hezbollah advertiu que o grupo “não aceitará qualquer agressão que viole a soberania de seu país ou derrame o sangue de seu povo”, prometendo que “permanecerá comprometido com o direito legítimo e inabalável do Líbano de defender sua terra, seu povo e sua soberania até que seja alcançada a retirada total (israelense) e os prisioneiros sejam devolvidos”.

 

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