Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026

A inteligência artificial e a qualidade da educação pública

Por Professora Francisca – Professores e estudantes devem participar das decisões sobre novas tecnologias, com autonomia pedagógica, plataformas públicas e valorização das relações humanas.

Quarta, 12 de Agosto de 2026 às 10:07, por: CdB

Professores e estudantes devem participar das decisões sobre novas tecnologias, com autonomia pedagógica, plataformas públicas e valorização das relações humanas.

Por Professora Francisca – de São Paulo

O avanço tecnológico trouxe uma realidade que não se pode ignorar. A inteligência artificial bate à nossa porta e é necessário abri-la com todo cuidado porque é importante que seja usada em benefício das pessoas.

Projeto ‘Piauí Inteligência Artificial’ torna ensino de IA disciplina obrigatória

Em primeiro lugar, é necessário falar das plataformas digitais utilizadas de uma maneira geral nas escolas, como em São Paulo, revelam grandes problemas, inclusive com erros graves para o aprendizado. Além disso, professoras e professores ficam com uma sobrecarga de trabalho, pois tudo foi decidido autoritariamente, sem o prévio conhecimento dos profissionais em como trabalhar com essas plataformas privadas, caras e inócuas.

Parece que pretendem substituir o insubstituível trabalho humano das professoras e professores.  No caso da inteligência artificial, os profissionais da educação assim como os estudantes devem ter relevância em todos os projetos e principalmente no processo de ensino e aprendizagem.

As trabalhadoras e os trabalhadores da educação precisam de autonomia suficiente para gerenciar suas respectivas salas de aula e escolas, porque conhecem melhor suas alunas e alunos e com isso podem ter prognósticos adequados para os encaminhamentos dos trabalhos, direcionando-os para uma melhor compreensão do que se é estudado.

Para que isso possa ocorrer, é importante criar plataformas públicas para se ter independência na elaboração dos conteúdos, que sigam os currículos, mas com ampla liberdade de discussão.

Educação

Entendendo que as relações humanas são insubstituíveis e na educação o trabalho das professoras e dos professores são igualmente insubstituíveis, a inteligência artificial deve ser um fator agregador e facilitador do pensamento crítico conectado com a realidade concreta.

Não podemos fugir dos avanços tecnológicos, mas é preciso garantir qualidade em todo material produzido e que a tecnologia possa inovar na possibilidade de ampliação dos horizontes culturais com democracia e liberdade.

 

Professora Francisca, é diretora da Secretaria de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, da Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE), secretária-adjunta de Finanças da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e diretora da CTB-SP.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

Edições digital e impressa