Incêndios florestais levaram à evacuação de vilarejos inteiros nos Pirineus. Temperaturas voltam a superar os 40ºC na Espanha, com várias regiões sob alerta de calor em Portugal e na Grécia.
Por Redação, com DW – de Paris
Incêndios florestais levaram à evacuação de vilarejos inteiros nos Pirineus. Temperaturas voltam a superar os 40ºC na Espanha, com várias regiões sob alerta de calor em Portugal e na Grécia.Incêndios florestais no sul da Europa forçaram milhares de pessoas a deixar suas casas. Centenas de bombeiros combatem as chamas que devastaram mais de 20 mil hectares de terra – uma área pouco menor do que a cidade do Recife – em Portugal, Espanha, França, Grécia e outros países.

Incêndios se espalham à medida que as temperaturas voltam a subir em um continente marcado pela recente onda de calor.
No sudoeste da França, mais de 10,5 mil pessoas tiveram de ser retiradas de duas dezenas de pequenas cidades e vilarejos na região da cidade de Perpignan, perto da fronteira com a Espanha, e as autoridades disseram que os fortes ventos desta segunda-feira alimentariam ainda mais as chamas.
A União Europeia (UE) informou nesta segunda-feira que enviaria quatro aviões-tanque do Chipre e da Suécia para a França para ajudar os bombeiros na região da cidade de Perpignan. “A Europa está com a França”, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em postagem no X.
O incêndio já devastou cerca de 4,6 mil hectares no sopé da região montanhosa dos Pirineus franceses. “Esta manhã, as condições estão se deteriorando novamente”, alertou o ministro do Interior, Laurent Núñez, à emissora francesa TF1. “Hoje, a batalha recomeça.”
– As mudanças climáticas estão aqui, estamos vivendo as consequências e estamos apenas no começo de julho – disse o coronel do Corpo de Bombeiros francês, Eric Belgioino, ao fazer um apelo às pessoas próximas ao incêndio nos Pirineus para que tomem precauções e evitem iniciar novas chamas.
– A temporada de incêndios será longa para os bombeiros. Vocês precisam nos ajudar – pediu.
Temperaturas
Os incêndios se espalham à medida que as temperaturas voltam a subir em um continente ainda marcado pelas consequências das ondas de calor de maio e junho, que resultaram em milhares de mortes.
Na Grécia, um incêndio florestal destruiu duas fábricas em Tessalônica, no norte do país, forçando as autoridades a evacuar a área ao redor e a alertar os moradores para manterem as janelas fechadas.
No nordeste da Espanha, um incêndio que ameaçou as praias turísticas da Costa Brava queimou mais de 2,2 mil hectares em dois dias e ainda estava sendo combatido na segunda-feira.
O aumento das temperaturas na Espanha alimentou os temores de novos focos de incêndio. Os termômetros chegaram a marcar 43°C neste domingo em Andaluzia e Extremadura.
Em Portugal, os serviços de emergência disseram ter controlado um incêndio florestal que devastou cerca de 13 mil hectares de floresta e vegetação rasteira no norte do país. Quatro regiões portuguesas permaneceram sob alerta de calor nesta segunda-feira. Segundo meteorologistas, a onda de calor poderá durar até o final de semana.
Em outros locais, grandes incêndios também destruíram centenas de hectares de floresta, vinhedos e vegetação, como na ilha croata de Hvar e em Tale, na Albânia.
Tour de France
As autoridades decidiram proibir a presença de espectadores na etapa desta segunda-feira da competição de ciclismo Tour de France, que foi ameaçada por um incêndio.
A terceira etapa da corrida ciclística, que passa pelos Pirineus, transcorreu sem os milhares de espectadores que normalmente lotam o percurso.
Apenas os ciclistas e seus veículos de apoio tiveram permissão para circular no percurso de 196 quilômetros que cruza a fronteira da Espanha para a França.
A Europa registrou temperaturas recordes durante uma forte onda de calor em junho, que teria sido “virtualmente impossível” sem as mudanças climáticas, segundo o grupo de cientistas World Weather Attribution.
Após o aumento de temperatura nas últimas duas semanas, a França informou que houve mais de 2 mil mortes acima do nível normal em apenas uma semana, enquanto a Espanha e a Bélgica registraram mais de mil mortes em excesso.