Rio de Janeiro, 04 de Janeiro de 2026

IAB condena ‘terrorismo internacional’ dos EUA em violência contra Venezuela

O IAB critica a intervenção dos EUA na Venezuela, chamando-a de terrorismo internacional e enfatizando a importância do Direito Internacional.

Sábado, 03 de Janeiro de 2026 às 21:30, por: CdB

A presidência do IAB apoia integralmente o pronunciamento da ONU, cujo secretário-geral “enfatiza a importância do pleno respeito – por todos – ao Direito Internacional.

Por Redação, com ACS – do Rio de Janeiro

O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), instituição jurídica mais antiga das Américas, divulgou neste sábado nota sobre a intervenção dos EUA na Venezuela, considerando o fato uma forma de “terrorismo internacional”. Assinada pela presidente nacional do IAB, Rita Cortez, a nota afirma que a situação “obrigando-nos a permanecer em constante estado de alerta para evitar que sejamos os próximos alvos”.

IAB condena ‘terrorismo internacional’ dos EUA em violência contra Venezuela | Rita Cortez, presidente do IAB
Rita Cortez, presidente do IAB

A presidência do IAB apoia integralmente o pronunciamento da ONU, cujo secretário-geral “enfatiza a importância do pleno respeito – por todos – ao Direito Internacional e repudia o ato de agressão como retorno injustificável à barbárie”.

Em nota, o IAB saúda a posição do governo brasileiro, ao reafirmar a necessidade de preservação da América Latina (AL) e do Caribe como zona de paz, e conclama a comunidade internacional, em especial a Organização das Nações Unidas, a atuar pela restauração da ordem jurídica internacional.

Leia, a seguir, a nota na íntegra:

INTERVENCIONISMO NA VENEZUELA

“Nota da presidência do IAB em apoio ao pronunciamento da ONU e da diplomacia brasileira

“No episódio da intervenção na Venezuela, o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) considera imprescindível que ele seja analisado à luz dos princípios cardeais do Direito Internacional Público, notadamente no que se refere à soberania estatal, aos Direitos Humanos e ao Direito Migratório, como instrumento regulador de um eventual aumento do fluxo migratório nas nossas fronteiras.

“Impõe-se considerar o caráter predominantemente econômico – voltado ao controle e domínio da produção de petróleo – que permeia essa situação, bem como o aspecto político que se revela como uma forma de “terrorismo internacional”, obrigando-nos a permanecer em constante estado de alerta para evitar que sejamos os próximos alvos.

“Urge, diante do quadro, observar e endossar pronunciamentos que clamam por cautela e moderação nas falas, mas que também exijam firmeza na defesa da legalidade e da legitimidade das ações.

“Neste sentido, a presidência do IAB apoia integralmente o pronunciamento da ONU, cujo secretário-geral “enfatiza a importância do pleno respeito – por todos – ao Direito Internacional e repudia o ato de agressão como retorno injustificável à barbárie”. Tal posição encontra respaldo nos artigos 1°, 2º, §§ 1º, 3º, 4º e 7º da Carta das Nações Unidas, bem como nos artigos 18 e 19 da Carta da Organização dos Estados Americanos.

“É fundamental assegurar a observância das normas internacionais e a preservação da política multilateral, como marcas da diplomacia brasileira nas relações internacionais. É igualmente inaceitável o uso político dessa delicada situação como fomentador de um falso embate “direita x esquerda”. Cabe às instituições jurídicas reafirmarem a tradição diplomática brasileira, construída ao longo de séculos por diplomatas-juristas de origem luso-portuguesa, consolidando uma cultura de profundo respeito ao Direito Internacional e à solução pacífica de controvérsias.

“Essa tradição encontrou sua expressão máxima na atuação do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, que, por meio de arbitragens internacionais, assegurou a delimitação pacífica das fronteiras nacionais com base no Direito, consolidando o território brasileiro sem recurso à força.

“O IAB, por meio desta nota, saúda a posição do governo brasileiro, ao reafirmar a necessidade de preservação da América Latina e do Caribe como zona de paz, e conclama a comunidade internacional, em especial a Organização das Nações Unidas, a atuar pela restauração da ordem jurídica internacional, sendo certo que o IAB permanecerá disposto a contribuir com o debate doutrinário e com iniciativas que promovam soluções fundamentadas no Direito e na cooperação internacional”.

Rio de Janeiro, 3 de janeiro de 2026.

Rita Cortez

Presidente nacional do IAB

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