Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

IA é usada sem identificação em contas oficiais de candidatos

Entre os 314 conteúdos suspeitos coletados entre 16 e 26 de agosto em redes sociais e aplicativos de mensagem, foi constatado o uso de IA em 282 deles.

Sexta, 11 de Setembro de 2026 às 12:49, por: CdB

Entre os 314 conteúdos suspeitos coletados entre 16 e 26 de agosto em redes sociais e aplicativos de mensagem, foi constatado o uso de IA em 282 deles.

Por Redação, com ABr – de Brasília

Um levantamento do Observatório Lupa mostra que pelo menos 37 conteúdos foram gerados com inteligência artificial (IA) nas contas oficiais dos candidatos em redes sociais. Em todos esses conteúdos, não havia nenhuma indicação da manipulação digital.

Ao menos 37 conteúdos foram gerados nas contas oficiais

Entre os 314 conteúdos suspeitos coletados entre 16 e 26 de agosto em redes sociais e aplicativos de mensagem, foi constatado o uso de IA em 282 deles. Desses conteúdos, a maioria deles era deepfake, peças artificiais criadas para simular a aparência, a voz ou a identidade de pessoas reais.

Segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, foi a maior vítima dos conteúdos falsos gerados por IA, aparecendo 115 vezes. A segunda maior vítima dos conteúdos falsos foi Flávio Bolsonaro (PL), aparecendo em 56 conteúdos.

O Facebook é a rede com maior registros de conteúdo enganoso: foram 202 ocorrências, seguido do Instagram, com 62 ocorrências.

– O que chama atenção nesses 37 casos é que não são conteúdos publicados por contas anônimas. São publicações feitas pelas contas oficiais de candidatos e partidos, que têm a obrigação de informar ao eleitor quando utilizam inteligência artificial – alerta Cristina Tardáguila, gerente de inovação e formação e fundadora da Agência Lupa.

Em março deste ano, o TSE aprovou as restrições para uso de IA nas eleições. A restrição vale para modificações com imagem e voz de candidatos ou pessoas públicas.

A Corte eleitoral também reafirmou que os provedores de internet poderão ser responsabilizados pela Justiça se não retirarem perfis falsos e postagens ilegais de seus usuários.

Plataforma

Um adolescente de São Paulo, de apenas 16 anos, criou uma plataforma para ajudar o público jovem nas eleições deste ano. O site votae.org traz informações sobre o sistema político brasileiro e os cargos em disputa, com o objetivo de ajudar a nova geração de eleitores antes de ir às urnas.

Criador da plataforma, Maurício Melzer percebeu dificuldade para entender o cenário político e escolher os candidatos ao tirar o título de eleitor.

– Eu não sabia o que um senador fazia, não sabia a importância do Congresso, de um deputado. Comecei a pesquisar, acabei montando o site e descobri que muitos dos meus amigos também não sabiam. Então eu falei: opa, tem um problema aqui – disse à TV Brasil.

A plataforma votae.org informa sobre cargos e candidatos, com dados retirados do site oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os jovens de 16 a 24 anos representam 12% do eleitorado brasileiro. São 19 milhões e 200 mil eleitores.

– A gente traduz essa linguagem aí, que talvez pareça um pouco grande, desconfortável para o jovem que está começando agora o envolvimento político, votando pela primeira vez. Então, temos essa maneira de conversar com o jovem, para ele entender melhor como funciona o sistema brasileiro – explicou Maurício.

Nestas eleições, são quase 21 mil candidatos em todo o país. Somente no estado de São Paulo, que é o maior colégio eleitoral do país, são cerca de 2.600 candidatos. Na urna, o eleitor deverá votar para presidente da República, governador, dois senadores, deputado federal e estadual.

No site do TSE, estão todos os candidatos por estado e cargo disputado, e há informações sobre financiamento das campanhas.

Para Vitor Amaral, secretário de comunicação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), é importante que o eleitorado mais jovem participe neste contexto de eleições. Ele destacou o engajamento desse público no ambiente digital.

– Quando eles se envolvem, trazem aí soluções, acredito que é uma possibilidade realmente de aproximar esse público, que é um público importante também no eleitorado. Um público que vai também ajudar a decidir as eleições – disse Vitor.

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