Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Funeral do ‘açougueiro da Bósnia’ com honras militares incomoda a UE

Milhares de pessoas começaram a chegar cedo à pequena Igreja Ortodoxa Sérvia de São Lucas, em Belgrado, para prestar suas homenagens a Mladic, cujo corpo foi velado.

Segunda, 07 de Setembro de 2026 às 14:44, por: CdB

Milhares de pessoas começaram a chegar cedo à pequena Igreja Ortodoxa Sérvia de São Lucas, em Belgrado, para prestar suas homenagens a Mladic, cujo corpo foi velado.

Por Redação, com AP – de Belgrado

O comandante sérvio da Bósnia Ratko Mladic, que morreu enquanto cumpria pena de prisão perpétua por crimes de guerra, foi enterrado nesta segunda-feira com honras militares e grande público, enquanto a Sérvia desafiava os alertas da União Europeia (UE) contra homenagens públicas ao homem considerado culpado pelo primeiro caso de genocídio no continente desde a II Guerra Mundial.

Ratko Mladic
O ‘açougueiro da Bósnia’, Ratko Mladic, morreu na cadeia

Milhares de pessoas começaram a chegar cedo à pequena Igreja Ortodoxa Sérvia de São Lucas, em Belgrado, para prestar suas homenagens a Mladic, cujo corpo foi velado. Mladic ainda é considerado um herói por muitos sérvios. Seu quepe e sabre de oficial militar repousavam sobre o caixão, que estava ladeado por homens em trajes de combate.

O chefe da Igreja Ortodoxa Sérvia, o Patriarca Porfirije, liderou o serviço fúnebre enquanto soldados do exército sérvio carregavam o caixão de Mladic, coberto com a bandeira norte-americana, no cemitério, sob aplausos dos enlutados e ao som de uma orquestra militar. A mídia pró-governo transmitiu a cerimônia ao vivo.

 

Condenado

O líder nacionalista sérvio da Bósnia, Milorad Dodik, e o embaixador russo na Sérvia, Alexander Botsan-Kharchenko , estavam entre os presentes no funeral. Mladic morreu aos 84 anos em 27 de agosto em Haia, na Holanda, onde cumpria pena de prisão perpétua.

O ‘açougueiro da Bósnia’ foi condenado em 2017 por orquestrar o massacre de mais de 8 mil homens e meninos muçulmanos em Srebrenica em 1995; o cerco de anos à capital bósnia, Sarajevo; e outros crimes de guerra, incluindo a criação de campos de concentração para civis não sérvios detidos e soldados inimigos.

Desde a morte de Mladic, seus admiradores nacionalistas têm realizado vigílias, pintado uma série de murais em Belgrado com sua imagem e acendido sinalizadores em sua homenagem. No domingo à noite, torcedores de futebol exibiram uma enorme imagem de Mladic e cantaram seu nome em uma partida em Belgrado.

Na Bósnia, o grupo Mães de Srebrenica, que reúne familiares das vítimas, instou a UE a reagir, afirmando que o funeral de Mladic “ameaça se tornar o maior encontro fascista na Europa nos últimos 70 anos”.

“A glorificação do genocídio não é uma honra, é uma vergonha”, resumiram, em uma rede social.

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