Levantamento mostra que importados, modelos chineses e carros fora de linha podem depender de encomendas e estoques remanescentes
Por Sérgio Dias – de São Paulo
A dificuldade para encontrar peças de reposição pode manter veículos parados por até 90 dias no Brasil e aumentar o custo dos reparos. Um levantamento da Autoglass mostra que o problema afeta modelos importados com baixa circulação, automóveis de marcas chinesas e carros fora de linha, cujos componentes dependem de importação ou estoques remanescentes.

“O aumento da diversidade da frota brasileira exige um trabalho estratégico na gestão dos estoques”, afirma Flávio Cezario, vice-presidente da Autoglass. Segundo o executivo, acompanhar somente os itens com maior saída não atende às necessidades de proprietários, oficinas e seguradoras quando veículos com menor presença no mercado também precisam de manutenção.
O estudo foi elaborado a partir do banco de dados e do sistema de gestão de estoque da empresa. A tecnologia cruza o histórico de demanda, a composição regional da frota, a disponibilidade dos fornecedores e a probabilidade de substituição de peças conforme o modelo e o ano de fabricação.
Importação amplia espera
Ferrari SF90 Spyder, Lamborghini Huracan LP 580-2 e Maserati Levante GT estão entre os modelos com maior dificuldade de reposição. Alguns componentes dependem de encomendas ao exterior e da estrutura de uma única concessionária autorizada, situação que limita a oferta e interfere no prazo do serviço.
No caso do Porsche Cayenne S Coupé e do Porsche 911 GT3, determinadas peças podem levar entre 60 e 90 dias para chegar ao Brasil. Durante esse período, o proprietário pode permanecer sem o veículo, enquanto a oficina precisa organizar a desmontagem e o reparo de acordo com a confirmação do fornecimento.
A expansão das marcas chinesas apresenta outro desafio. Vidros destinados ao MG4, Denza B5 e Geely EX5 aparecem no levantamento por causa da disponibilidade limitada e da necessidade de identificar adaptações realizadas para o mercado brasileiro. A BYD Shark também integra a relação de veículos com restrições de oferta.
Carros fora de linha
O levantamento aponta dificuldades na reposição de componentes de iluminação para Fiat Punto fabricado entre 2008 e 2012, Fiat Doblo de 2010 a 2021, Volkswagen Polo de 2007 a 2015 e Golf de 2008 a 2014. A interrupção da fabricação reduz as opções disponíveis no mercado.
GM Kadett, Monza e Chevette também aparecem na análise. Para esses veículos, a manutenção pode depender de peças que permaneceram armazenadas, processos de remanufatura ou importação sob encomenda, fatores que tornam o prazo menos previsível e podem elevar a despesa do proprietário.
A Autoglass utiliza os dados para antecipar a compra de componentes com possibilidade de substituição, mesmo quando destinados a modelos com menor circulação. A estratégia procura disponibilizar a peça antes da solicitação, reduzindo o período entre a identificação do problema e o retorno do veículo à circulação.