Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2026

Falta de peças encarece reparos e prolonga espera


Segunda, 21 de Setembro de 2026 às 14:12, por: Sérgio Dias

Levantamento mostra que importados, modelos chineses e carros fora de linha podem depender de encomendas e estoques remanescentes

Por Sérgio Dias – de São Paulo

A dificuldade para encontrar peças de reposição pode manter veículos parados por até 90 dias no Brasil e aumentar o custo dos reparos. Um levantamento da Autoglass mostra que o problema afeta modelos importados com baixa circulação, automóveis de marcas chinesas e carros fora de linha, cujos componentes dependem de importação ou estoques remanescentes.

Falta de peças encarece reparos e prolonga espera

“O aumento da diversidade da frota brasileira exige um trabalho estratégico na gestão dos estoques”, afirma Flávio Cezario, vice-presidente da Autoglass. Segundo o executivo, acompanhar somente os itens com maior saída não atende às necessidades de proprietários, oficinas e seguradoras quando veículos com menor presença no mercado também precisam de manutenção.

O estudo foi elaborado a partir do banco de dados e do sistema de gestão de estoque da empresa. A tecnologia cruza o histórico de demanda, a composição regional da frota, a disponibilidade dos fornecedores e a probabilidade de substituição de peças conforme o modelo e o ano de fabricação.

 

Importação amplia espera

Ferrari SF90 Spyder, Lamborghini Huracan LP 580-2 e Maserati Levante GT estão entre os modelos com maior dificuldade de reposição. Alguns componentes dependem de encomendas ao exterior e da estrutura de uma única concessionária autorizada, situação que limita a oferta e interfere no prazo do serviço.

No caso do Porsche Cayenne S Coupé e do Porsche 911 GT3, determinadas peças podem levar entre 60 e 90 dias para chegar ao Brasil. Durante esse período, o proprietário pode permanecer sem o veículo, enquanto a oficina precisa organizar a desmontagem e o reparo de acordo com a confirmação do fornecimento.

A expansão das marcas chinesas apresenta outro desafio. Vidros destinados ao MG4, Denza B5 e Geely EX5 aparecem no levantamento por causa da disponibilidade limitada e da necessidade de identificar adaptações realizadas para o mercado brasileiro. A BYD Shark também integra a relação de veículos com restrições de oferta.

 

Carros fora de linha

O levantamento aponta dificuldades na reposição de componentes de iluminação para Fiat Punto fabricado entre 2008 e 2012, Fiat Doblo de 2010 a 2021, Volkswagen Polo de 2007 a 2015 e Golf de 2008 a 2014. A interrupção da fabricação reduz as opções disponíveis no mercado.

GM Kadett, Monza e Chevette também aparecem na análise. Para esses veículos, a manutenção pode depender de peças que permaneceram armazenadas, processos de remanufatura ou importação sob encomenda, fatores que tornam o prazo menos previsível e podem elevar a despesa do proprietário.

A Autoglass utiliza os dados para antecipar a compra de componentes com possibilidade de substituição, mesmo quando destinados a modelos com menor circulação. A estratégia procura disponibilizar a peça antes da solicitação, reduzindo o período entre a identificação do problema e o retorno do veículo à circulação.

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