Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Enem terá passe livre para estudantes no Rio nos dias de prova

Prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) anunciou a medida em reunião com a vereadora Maíra do MST (PT) e instituições estudantis na quarta; créditos serão liberados pelo JAÉ para cerca de 150 mil inscritos.

Quinta, 10 de Setembro de 2026 às 13:42, por: CdB

Prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) anunciou a medida em reunião com a vereadora Maíra do MST (PT) e instituições estudantis na quarta; créditos serão liberados pelo JAÉ para cerca de 150 mil inscritos.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A prefeitura do Rio vai garantir transporte gratuito aos candidatos que farão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na cidade nos dias 8 e 15 de novembro. O benefício valerá para estudantes das redes pública e privada e funcionará por meio do JaÉ, sistema de bilhetagem dos ônibus municipais.

Enem 2026 ocorre nos dias 8 e 15 de novembro

A decisão foi anunciada pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) na quarta-feira, durante uma reunião com a vereadora Maíra do MST (PT), representantes de entidades estudantis e movimentos sociais. A expectativa é que a medida alcance cerca de 150 mil candidatos.

O secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, explicou como a tarifa zero vai funcionar. Os estudantes que ainda não utilizam o JaÉ ou não possuem benefício de gratuidade terão que fazer o cadastro no aplicativo e vincular o CPF para receber os créditos que serão disponibilizados nos dias de prova.

Segundo Arraes, será liberado um crédito de R$ 10 com direito à integração modal em cada domingo de Enem, totalizando R$ 20 nos dois dias. A passagem dos ônibus municipais hoje custa R$ 5. De acordo com o secretário, a prefeitura estima investir cerca de R$ 3 milhões na iniciativa.

A medida ocorre em meio ao avanço da tarifa zero em outras cidades: 18 das 27 capitais já adotam algum modelo de gratuidade no transporte público. No estado do Rio, 16 dos 92 municípios contam com a tarifa zero universal.

Campanha

A decisão foi tomada após meses de articulação de movimentos estudantis e sociais em torno da pauta. Na última semana, coletivos chegaram a projetar mensagens em um dos prédios mais altos da região da Central do Brasil, pedindo a liberação da tarifa zero para os candidatos do Enem.

Durante o encontro desta quarta, os jovens aproveitaram para entregar a Cavaliere um abaixo-assinado com quase 10 mil apoios e uma carta com propostas voltadas ao acesso ao ensino superior e à permanência estudantil.

Autora da campanha “Brota no Vestibular, Tarifa Zero para Estudar”, em parceria com movimentos sociais e a organização Meu Rio, a vereadora Maíra do MST afirmou que vinha negociando a concessão do benefício com a prefeitura havia mais de seis meses. A edil comemorou o resultado da reunião.

– Essa conquista é fruto de décadas de luta dos movimentos e de muita articulação política do nosso mandato. A tarifa zero é uma política de inclusão e incentivo à educação superior. Vamos seguir trabalhando para avançar cada vez mais em direitos para a juventude carioca – disse a parlamentar.

– Temos que criar mecanismos que aproximem as pessoas da universidade. Nossa administração está comprometida com essa demanda da tarifa zero. Do ponto de vista político, é uma disputa que a gente tem que fazer na sociedade. Precisamos trazer esses jovens de volta ao ensino superior e o passe livre pode ser um estímulo – afirmou Eduardo Cavaliere, que elogiou a iniciativa e defendeu a valorização do ensino superior.

A expectativa, é que o passe livre beneficie principalmente jovens de baixa renda e moradores de regiões mais afastadas, que muitas vezes precisam pegar vários ônibus e fazer baldeação para chegar ao local de prova. A ativista Maria Clara Delmont, coordenadora da ONG Meu Rio, comentou sobre o desinteresse da juventude atual em acessar as universidades por conta dos diversos desafios.

– Precisamos construir soluções de incentivos à educação e facilitar o caminho para que o jovem volte a enxergar o vestibular como um futuro possível. Temos que defender a educação como emancipação pessoal e profissional, como uma medida estrutural para combater a desigualdade – enfatizou.

Também participaram do encontro representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Estadual dos Estudantes (UEE), do Levante Popular da Juventude e dos coletivos O Rio Vale a Luta, Revide e Podemos Mais.

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