Por Redação, com sucursal – de Brasília, por Thamy Frisselli

No sábado (22) foi dia de atividades do Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF para celebrar o mês de luta das mulheres. No encontro aconteceu na sede do sindicato e contou com uma roda de conversa, a confecção de estandarte e o lançamento da pesquisa sobre assédios e condições de trabalho.
A volta dos encontros presenciais marca a resistência de 10 anos do coletivo, de muitas lutas que ainda assolam a vida das jornalistas, principalmente a questão de gênero.
Monalisa Coelho, tem 28 anos, e está há 2 anos no quadradinho. Formanda há 6 anos, tem um apoio em direitos humanos, trabalhando com assessoria em migração e refúgio e é a primeira vez que tem contato com o sindicato. “Eu busquei esse espaço do coletivo, dentro do sindicato, buscando um espaço de pertencimento aqui em Brasília. Vindo de outro estado, a gente se sente um pouco deslocada, trabalhando num quadradinho, que ainda é o quadradinho Brasília e as outras regiões administrativas. Encontrei aqui, mesmo num primeiro encontro, muito mais do que eu procurava, encontrei muito acolhimento, outras pautas também transversais, para além do trabalho, mas enquanto mulheres eu acho que a gente consegue se ver muito uma nas outras. Então eu acho que é um espaço muito fluido, muito acolhedor, que eu pretendo frequentar outras vezes, trazer algumas pautas também, contribuir. Acho que é um espaço de muito acolhimento, mas também de muita resistência, onde a gente quer buscar nossos direitos, respeito, nosso lugar no mercado, a gente trouxe muitas pautas também, por exemplo, de etarismo, sobre as próprias condições de trabalho das mulheres jornalistas, então eu acho que é um espaço que tem só um espaço de colheita, de plantio e de colheita também, para um futuro muito bonito para todas nós”.
Para Jacira da Silva, a profissional com mais tempo de “casa”, essa organização significa a luta diária das trabalhadoras. “Nossa organização, na condição de mulher e jornalista, significa a nossa luta diária, contínua, pelo exercício da profissão, com dignidade, com respeito, com objetivos importantes para nós, pessoalmente como coletivamente. Nós, mulheres jornalistas, precisamos estar unidas, coesas, dentro de um projeto político. E esse projeto político significa estarmos na visibilidade, com salários iguais, empregadas, contribuídas para o desenvolvimento do país, e com recorte. Que muitas vezes a gente não está nem usando mais esse termo, mas uma política pública onde nós mulheres jornalistas tenhamos o olhar do sistema excludente e patriarcal”.
Renata Maffezoli, está desde 2013 na diretoria do Sindicato dos Jornalista do DF, faz parte do Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF desde a sua criação, em 2015, e conta como foi essa organização de resistência. “O Coletivo de Mulheres Jornalistas do DF surge em 2015, como uma forma das mulheres jornalistas se reunirem para debater questões de gênero, questões relacionadas ao trabalho das mulheres, a vivência das mulheres dentro do jornalismo, coisas que a gente sentia falta de debater em outros espaços, um espaço para aglutinar forças, inclusive, para pautar esses temas nas nossas redações, nos nossos espaços de trabalho junto à sociedade. Travamos uma data bastante intensa até 2019, 2020, aí com a pandemia ficamos mais afastadas, como todo mundo, acabou que a gente teve que, enfim, cada um nas suas casas, a gente fazendo os debates virtuais. E agora a gente está retomando a atividade do coletivo de uma forma mais organizada, com uma agenda efetiva de reuniões, de encontros mensais”.
