O dirigente petista também comentou questões locais envolvendo as eleições deste ano em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Por Redação – de São Paulo
Presidente nacional do PT e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República, o jornalista Edinho Silva confirmou a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um quarto mandato. A declaração afasta qualquer especulação quanto à campanha que terá início na convenção do partido, em julho. Na véspera, Lula disse em uma entrevista que “dificilmente” não será candidato.

— Lula fez uma fala de quem valoriza a convenção partidária. Ele pensa que a convenção que tem que decidir, mas claro que o presidente Lula é candidato. Penso que ele hoje é a liderança mais preparada para que o Brasil enfrente essa turbulência internacional — afirmou Edinho após jantar com empresários promovido pelo grupo Esfera, na capital paulista.
Senado
O dirigente petista também comentou questões locais envolvendo as eleições deste ano em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Edinho Silva adiantou, ainda, que o ex-ministro e pré-candidato ao governo paulista Fernando Haddad (PT) será o responsável por resolver o conflito entre os ex-ministros Marina Silva e Márcio França pela segunda vaga ao Senado, no Estado paulista.
— Penso que Fernando Haddad vai conduzir esse processo. Tem que ser conduzido por ele. E ele habilidoso e preparado como é, vai equacionar para que tenhamos chapa forte em São Paulo — acrescentou, ao ressaltar que França e Marina não necessariamente devem ocupar a vice de Haddad, caso não sejam escolhidos como candidatos ao Senado.
Aliança
O presidente do PT também ressaltou a importância da legenda ao apoiar a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT) ao governo gaúcho. O ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Edegar Pretto (PT) desistiu, na véspera, de concorrer em favor da pedetista.
— Nesse momento, entendemos que a unidade do campo democrático no Rio Grande do Sul é fundamental, não só para construção das condições políticas para que a gente possa ganhar, mas também para dar sustentação à candidatura do presidente Lula — pontuou.
Judiciário
Segundo Edinho Silva, ao comentar sobre a conjuntura estrutural do país, opinou sobre o Judiciário brasileiro, que precisa passar por reformas estruturais. O atual modelo político eleitoral, de acordo com Edinho Silva, está esgotado e não atende mais às demandas da sociedade.
No encontro, que contou com a presença do dirigente nacional do PSD, Gilberto Kassab, o líder petista destacou a importância de fortalecer as instituições, evitando personalizações nos debates políticos.
— Fulanizar é muito fácil. As pessoas são falíveis. O importante é você ter instituições fortes — observou.
O ex-ministro pronunciou-se favorável à necessidade de discutir mudanças no Judiciário para evitar falhas.
— Deveríamos estar debatendo reforma do Poder Judiciário para que as falhas deixem de acontecer. Não adianta nós enfraquecermos o Judiciário se não há democracia sem Judiciário — indicou.
Desgastes
As declarações ocorrem em meio a um momento de tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), com repercussões políticas relacionadas ao caso Banco Master. Nos últimos dias, outras lideranças do PT também manifestaram preocupações com o impacto de desgastes envolvendo ministros da Corte no cenário eleitoral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, comentou o tema em entrevista recente, mencionando ter sugerido ao ministro Alexandre de Moraes que se declarasse impedido em processos ligados ao banco para não “jogar fora sua biografia”. Já o ex-ministro José Dirceu defendeu, em entrevista, que o STF precisa promover uma autorreforma, afirmando que “o rei está nu”.