Vorcaro, segundo a revista, teria dito aos investigadores ter financiado uma produção cinematográfica que conta a história de Lula por meio de um repasse feito “por fora”.
Por Redação – de Brasília
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu, prontamente, a um suposto novo depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, no qual o empresário diz que financiou um filme sobre o líder petista, nos moldes do dinheiro transferido para o candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL), ou filho ’01’ como também é conhecido.

No áudio encaminhado à militância, o presidente do PT, Edinho Silva, declarou que os relatos possuem “claramente um viés político”. Na gravação, o coordenador da campanha petista destacou a necessidade de uma reação rápida para desmentir as novas declarações publicadas pela revista semanal de ultradireita ‘Veja’, na edição deste fim de semana.
Vorcaro, segundo a revista, teria dito aos investigadores ter financiado uma produção cinematográfica que conta a história de Lula por meio de um repasse feito “por fora”. Em contrapartida, o ex-banqueiro teria classificado o financiamento do filme ‘Dark Horse’, sobre Jair Bolsonaro (PL), como um “patrocínio normal”.
Intenções
Na mensagem, o presidente do PT reforçou a ausência de sustentação jurídica nas acusações do empresário.
— Ela nunca foi aceita como delação, nem pela Polícia Federal (PF), tampouco pelo Ministério Público. Porque ela é uma declaração claramente com viés político. Portanto ela não tem base material alguma, não tem prova nenhuma — acrescenta.
Edinho Silva exortou os apoiadores a esclarecerem à sociedade as reais intenções por trás da declaração de Vorcaro.
— Ele faz acusações levianas, sem provas, contra a campanha de Lula, tentando envolver lideranças na nossa campanha, e claramente protege o Flávio Bolsonaro. O Flávio (financiamento do ‘Dark Horse’), tem sim, materialidade — sublinha.
Investigação
Paralelamente ao pronunciamento do dirigente petista, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida apresentaram, na véspera, uma notícia de fato à PF solicitando investigação urgente sobre uma possível articulação entre o ex-banqueiro e pessoas ligadas à campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A representação aponta suspeita de uma operação coordenada para interferir no segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, e embaraçar as investigações do escândalo do Banco Master.
“Não aceitaremos que acusações sem provas e vazamentos seletivos sejam usados como arma eleitoral. As medidas judiciais cabíveis serão tomadas contra as calúnias e eventuais irregularidades na divulgação dessas informações”, afirma o comunicado. A manifestação ocorre na reta final da campanha presidencial, em meio à repercussão das investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Entrevista
A iniciativa dos juristas do Grupo Prerrogativas foi motivada por informações publicadas na coluna Outro Canal, da Folha de São Paulo, revelando que interlocutores de Vorcaro — preso preventivamente no Distrito Federal — procuraram a TV ‘Globo’ para negociar uma entrevista exclusiva, enquanto a ‘Record’ também demonstrou interesse, cabendo a escolha à emissora que oferecesse maior tempo de exibição.
Paralelamente, os juristas receberam a informação de que um HD contendo um depoimento gravado com acusações a adversários políticos de Flávio Bolsonaro e a integrantes do governo, incluindo ministros de Estado, teria sido entregue a terceiros fora dos canais formais. Segundo os advogados, há fundada suspeita de que o material contenha acusações sem provas, elaboradas para atingir politicamente o presidente Lula às vésperas do segundo turno.