Rio de Janeiro, 22 de Outubro de 2026

Dona de clínica é presa por cirurgias ilegais em Nova Iguaçu

Camila Nunes Pereira Marinho também é investigada por suspeita de realizar procedimentos cirúrgicos sem a habilitação profissional necessária.

Quinta, 22 de Outubro de 2026 às 13:40, por: CdB

Camila Nunes Pereira Marinho também é investigada por suspeita de realizar procedimentos cirúrgicos sem a habilitação profissional necessária.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A dona de uma clínica de estética no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, foi presa em flagrante nesta quinta-feira por crimes contra as relações de consumo, após policiais encontrarem medicamentos vencidos no estabelecimento.

Polícia prende suspeita de operar sem habilitação em Nova Iguaçu

Camila Nunes Pereira Marinho também é investigada por suspeita de realizar procedimentos cirúrgicos sem a habilitação profissional necessária.

Na ação, agentes da 52ª DP (Nova Iguaçu) encontraram materiais que podem ter sido utilizados em procedimentos de lipoaspiração. Os equipamentos serão analisados para confirmar a finalidade. Os policiais também cumpriram mandados de busca e apreensão na clínica e na casa da proprietária.

Na residência de Camila, foram apreendidos medicamentos, ampolas e seringas. Em uma ação anterior, realizada em 5 de outubro, os investigadores já haviam recolhido 16 ampolas de um medicamento controlado utilizado para sedação, após receberem uma denúncia de irregularidades na clínica.

Uma paciente relatou aos investigadores que recebeu sedativos durante um procedimento estético, desmaiou três vezes e apresentou lesões após o atendimento.

A clínica divulgava seus serviços por meio de folhetos que ofereciam às mulheres um “bumbum de ouro”.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa da responsável citada. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.

Segundo o relato da paciente, o procedimento foi anunciado como ‘hidrolifting’, mas teria incluído a retirada de gordura do abdômen e a aplicação do material nos glúteos. Ela afirmou que a intervenção teria sido realizada por uma profissional que ainda não havia concluído a formação.

A mulher também relatou complicações após outro procedimento estético, entre elas dores e nódulos na região dos glúteos. Um exame de corpo de delito confirmou a existência de lesões corporais.

Durante as diligências, os investigadores encontraram publicações nas redes sociais e mensagens em um grupo de clientes da clínica com relatos de dores intensas durante os procedimentos. A polícia também apura se os dados de um profissional foram utilizados indevidamente para apresentá-lo como responsável técnico pelo estabelecimento. Em depoimento, ele negou ter autorizado o uso de seu nome e carimbo.

A investigação apura possíveis crimes de exercício ilegal da medicina, lesão corporal, exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, falsidade documental e infrações contra as relações de consumo. Os agentes buscam identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a participação dos envolvidos.

Outra operação

A ação ocorre um dia após a Polícia Civil realizar uma operação no Grupo de Saúde Celita Toledo, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. A diretora da unidade, Celita Ribeiro, é investigada pela morte de três pacientes após procedimentos cirúrgicos no local.

Na quarta-feira, agentes da Delegacia do Consumidor (Decon) cumpriram mandados de busca e apreensão no estabelecimento. Durante a operação, todos os centros cirúrgicos foram interditados, e medicamentos vencidos e documentos acabaram apreendidos com apoio de fiscais da Vigilância Sanitária.

Além de Celita, outras três pessoas prestaram depoimento na sede da especializada, na Cidade da Polícia, na Zona Norte: um médico venezuelano que atendia na unidade e a chefe do centro cirúrgico. As identidades deles não foram divulgadas.

Diretora

Graça Maria Silva de Souza, diretora do Instituto Penal Oscar Stevenson, em Benfica, na Zona Norte do Rio, foi presa em flagrante sob suspeita de desviar alimentos da unidade prisional. Os produtos foram encontrados no porta-malas do carro da servidora, que acabou autuada por peculato.

Entre os itens encontrados estavam carne, frango, peixe, linguiça, queijos, frutas, óleo, leite, café e achocolatados. Segundo a Secretaria Estadual de Polícia Penal (Seppen), a servidora foi levada para a 21ª DP (Bonsucesso), exonerada do cargo e alvo de um processo administrativo disciplinar.

A abordagem ocorreu depois de uma denúncia sobre possíveis irregularidades na destinação dos alimentos da unidade. A partir das informações recebidas, a Subsecretaria de Inteligência do Sistema Penitenciário (Ssispen) e a Corregedoria da Seppen iniciaram o monitoramento do caso.

Durante as diligências, uma equipe de inteligência verificou um veículo que estava nas proximidades do presídio. Na revista, realizada na presença da diretora, os agentes encontraram os produtos. Questionada sobre a procedência dos alimentos, Graça informou que não tinha notas fiscais nem outros documentos que comprovassem a origem dos itens.

A servidora afirmou que os produtos haviam sido recolhidos no presídio porque não seriam mais consumidos e que seriam entregues a um centro espírita. Ela, o veículo e os alimentos foram encaminhados à delegacia.

Em nota, a Seppen declarou que não compactua com desvios de conduta ou crimes cometidos por servidores e afirmou que atua no combate a irregularidades por meio da Corregedoria e da Ssispen.

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