Rio de Janeiro, 30 de Junho de 2026

Dívida pública sobe mais do que economistas previam, constata BC

O desempenho mostra que o governo central teve déficit de R$ 55,169 bilhões, enquanto Estados e municípios tiveram um resultado negativo de R$1,236 bilhão.

Terça, 30 de Junho de 2026 às 20:52, por: CdB

O desempenho mostra que o governo central teve déficit de R$ 55,169 bilhões, enquanto Estados e municípios tiveram um resultado negativo de R$1,236 bilhão.

Por Redação, com Reuters – de Brasília

A dívida bruta do Brasil subiu mais do que o esperado em maio e o déficit do setor público consolidado ficou pior do que a expectativa, segundo levantamento do Banco Central (BC), divulgado nesta terça-feira. Segundo o relatório, a dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou maio em 81,1%, contra 80,2% no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público saiu de 67,9%, para 67,2%. As expectativas em pesquisa da agência inglesa de notícias Reuters eram de 80,7% para a dívida bruta e de 68,1% para a líquida.

O Brasil tem muito espaço para aumentar sua dívida pública
O Brasil tem muito espaço para aumentar sua dívida pública

Em maio, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 56,131 bilhões, contra expectativa de economistas consultados pela Reuters de um saldo negativo de R$ 53,5 bilhões. O desempenho mostra que o governo central teve déficit de R$ 55,169 bilhões, enquanto Estados e municípios tiveram um resultado negativo de R$1,236 bilhão. As estatais, por sua vez, tiveram superávit de R$ 273 milhões, segundo o BC.

“Os juros nominais do setor público consolidado, apropriados por competência, somaram R$ 107,5 bilhões em maio de 2026, ante R$ 92,1 bilhões em maio de 2025. Contribuiu para essa evolução o aumento no estoque do endividamento líquido no período. No acumulado em doze meses até maio, os juros nominais alcançaram R$ 1.111 bilhões (8,48% do PIB), comparativamente a R$ 946,1 bilhões (7,74% do PIB) nos 12 meses até maio de 2025”, diz o BC.

 

Tesouro

Ainda segundo a agência, a participação na dívida pública federal dos títulos indexados à Selic, mais buscados por investidores em momentos de volatilidade no mercado, continuou em alta no período, atingindo 49% do total, contra 48,6% em abril. O plano de financiamento do Tesouro prevê que esses papéis responderão por 46% a 50% do estoque neste ano.

O Tesouro destacou que foi observada no mês de maio uma elevação nos juros futuros do país, sob reflexo de expectativas em relação à política monetária em contexto de tensões no cenário geopolítico, apesar das perspectivas de resolução do conflito entre Estados Unidos e Irã.

Segundo as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma alta no mês passado, indo de 12,22% ao ano em abril para 12,31% ao ano. O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna também subiu, passando de 14,08% ao ano em abril para 14,19% no mês passado.

 

Tranquilidade

No período, o colchão de liquidez da dívida pública somou R$ 1,211 trilhão, suficiente para cobrir 9,14 meses de vencimentos de títulos. Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de 4,12 anos em abril para 4,07 anos em maio.

Sobre o mês de junho, o Tesouro disse que a curva de juros do Brasil teve alta refletindo mudanças de expectativas sobre o ciclo de política monetária, em contexto de incertezas com o cenário externo.

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