Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Cuba acusa EUA de criar justificativa para ataque

O governo cubano reage a acusações dos EUA sobre drones militares, chamando a situação de 'caso fraudulento' e alertando para sanções e possíveis intervenções.

Segunda, 18 de Maio de 2026 às 14:17, por: CdB

Regime da ilha reagiu à reportagem que acusou cubanos de estarem adquirindo drones para atacar alvos dos EUA. Para ministro, americanos estão fabricando “caso fraudulento” e usando imprensa para vazar informações falsas.

Por Redação, com DW – de Havana, Washington

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, acusou os EUA de fabricarem um “caso fraudulento” para justificar a imposição de sanções econômicas e uma potencial intervenção militar contra a ilha.

Cuba acusa EUA de criar justificativa para ataque | O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez
O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez

Os comentários do ministro ocorreram na esteira de uma reportagem publicada pelo site Axios no domingo que apontou que Cuba estaria adquirindo cerca de 300 drones militares da Rússia e do Irã e planejando utilizá-los para lançar ataques a alvos americanos. O site afirmou que baseou o texto em informações confidenciais de oficiais de inteligência do governo dos EUA, incluindo a CIA.

– Cuba não ameaça nem deseja guerra – disse Rodríguez em uma publicação nas redes sociais, acrescentando que a ilha “prepara-se para confrontar agressões externas no exercício do direito à legítima defesa reconhecido pela Carta da ONU”.

A reportagem alegava que Havana vinha considerando usar os drones para atacar a base naval norte-americana na Baía de Guantánamo, navios militares americanos e até a ilha de Key West, no estado americano Flórida, a cerca de 150 quilômetros do território cubano.

“Sem qualquer desculpa legítima, o governo dos EUA constrói, dia após dia, um caso fraudulento para justificar a guerra econômica impiedosa contra o povo cubano e a eventual agressão militar”, escreveu Rodríguez. “Veículos de mídia específicos fazem o jogo, promovendo calúnias e vazando insinuações provenientes do próprio governo dos EUA.”

Rodriguez não mencionou explicitamente as alegações sobre os drones em sua declaração.

Segundo um alto funcionário da CIA citado pelo site Axios, Havana recebeu mais drones e equipamentos militares russos no último mês. Essa mesma fonte afirmou que interceptações de inteligência apontam que os agentes cubanos estão “tentando aprender como o Irã tem resistido” aos ataques americanos.

A reportagem ainda apontou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos planeja nesta semana tornar pública uma acusação contra Raúl Castro por supostamente ordenar, em 1996, o abate de dois aviões pilotados por um grupo de auxílio com base em Miami chamado “Brothers to the Rescue”.

Pressão

Desde a captura do ex-ditador venezuelano e aliado dos cubanos Nicolás Maduro, em janeiro, os Estados Unidos vêm pressionando o regime cubano a implementar reformas profundas em seu sistema econômico e regime político. O governo em Havana rejeita as exigências e argumenta com a soberania nacional.

Para intensificar a pressão sobre a ilha, Washington impôs, desde então, um embargo petrolífero que exacerbou a crise energética que Cuba já enfrentava. A isso somou-se a ordem executiva assinada em 1º de maio pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que amplia as sanções econômicas, financeiras e comerciais em vigor há mais de seis décadas.

Uma agressão militar dos EUA contra a ilha é considerada plausível por especialistas após os acontecimentos na Venezuela e no Irã, e o próprio Trump já falou que Cuba “é a próxima”. A Defesa Civil de Cuba divulgou nos últimos dias um guia com orientações de proteção para o caso de uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos, em meio ao aumento das tensões entre Havana e Washington.

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