Sismo de magnitude 3.0 aconteceu próximo a Maricá e pode ter sido seguido por uma réplica.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Um tremor de magnitude 3.0 foi registrado na tarde de sábado no litoral do Rio, a cerca de 60 quilômetros de Maricá. Poucos minutos depois, às 18h03, as estações também identificaram um segundo abalo, de magnitude 2.0, tratado como uma possível réplica.

Os dois eventos foram detectados pela Rede Sismográfica Brasileira e tiveram os dados analisados pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo.
O novo registro ocorre poucos dias após outra sequência de tremores na costa fluminense. Entre 26 e 30 de junho, nove abalos foram identificados na região de Saquarema, sendo o mais intenso de magnitude 2.5.
Antes disso, nos dias 21 e 22 de maio, outra sequência de abalos aconteceu próxima ao município de Maricá, na Região Metropolitana. Na ocasião, o maior evento alcançou magnitude 3,3.
O fenômeno
Agenda do Poder produziu uma reportagem especial, no fim semana, explicando que os registros fazem parte de um comportamento geológico já conhecido e monitorado há décadas.
Segundo o sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional, a margem sudeste brasileira está entre as áreas com maior atividade sísmica do país, tornando esperados tremores de baixa magnitude, como os registrados recentemente.
– A ocorrência de sismos na margem sudeste do Brasil já é bem conhecida. Essa região da plataforma continental é considerada uma das zonas sísmicas do país, por isso eventos entre magnitudes 2 e 3 são esperados e não representam algo incomum – detalha o especialista.
José Alexandre, do Centro de Sismologia da USP, afirma que pelo menos 12 terremotos já foram confirmados na costa fluminense desde 1970, sem considerar os eventos registrados neste ano.
– Os tremores acontecem na região de transição entre a plataforma continental e o talude continental. As suspeitas são de que estejam relacionados a escorregamentos de rochas inconsólidas ou a falhas mais profundas que fazem parte do embasamento – diz.
Há motivo para preocupação?
A resposta dos especialistas é unânime: não. Os tremores registrados recentemente apresentam magnitudes muito baixas e ocorreram a mais de 70 quilômetros da costa.
– A população do litoral fluminense pode ficar bem tranquila. Esses registros têm relevância praticamente nula para o risco civil e não oferecem perigo. Também não existe risco de tsunami associado a esses eventos – garantiu Eduardo Bulhões, geógrafo marinho da UFF.
José Alexandre faz uma avaliação semelhante: “Os sismos no litoral do Rio estão muito distantes da costa, portanto as chances de causarem algum dano à população são praticamente nulas.”
Gilberto Leite lembra que sequer é possível sentir a maioria desses tremores.
– Não há motivo para preocupação. Eles estão dentro da faixa esperada para a região e raramente são sentidos. O que podemos fazer é monitorar continuamente essa atividade – conclui.
Mesmo assim, as pesquisas continuam. A Rede Sismográfica Brasileira instalou recentemente sismógrafos no fundo do mar para ampliar o conhecimento sobre a atividade sísmica da margem sudeste.
Quando esses equipamentos forem recolhidos, entre setembro e outubro, os pesquisadores esperam compreender melhor como esses tremores se originam e por que a costa fluminense continua sendo uma das regiões mais interessantes para o estudo da sismicidade no Brasil.