A dificuldade do bitcoin em sustentar uma trajetória mais consistente de valorização nos últimos meses reflete um ambiente macroeconômico desafiador.
Por Redação, com Reuters – de Nova York, NY-EUA
O anúncio do acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã trouxe apenas um alívio temporário para o bitcoin (BTC), mas não alterou o cenário de cautela que domina o mercado de cripto. A moeda digital acumulou alta de cerca de 4% nos primeiros dias da semana, com o alívio do risco geopolítico.

Ainda assim, o avanço ficou longe de representar uma reversão de tendência: o bitcoin continua sendo negociado em torno de 50% abaixo do recorde de US$ 126 mil, alcançado em outubro do ano passado.
A dificuldade do bitcoin em sustentar uma trajetória mais consistente de valorização nos últimos meses reflete um ambiente macroeconômico desafiador, que tem levado investidores a dar prioridade a ativos considerados mais seguros, como o ouro.
Plataforma
O movimento também pode ser observado nos ETFs de bitcoin à vista negociados nas bolsas de Nova York. Os fundos de índice são considerados a principal porta de entrada dos investidores institucionais para o mercado de criptoativos. Segundo dados da plataforma SosoValue, esses produtos registraram saídas líquidas de US$ 4,5 bilhões em maio e junho.
Ao mesmo tempo, houve redução na quantidade de bitcoins mantida por investidores de longo prazo. Dados do Mercado Bitcoin mostram que esse grupo reduziu suas posições em cerca de 373 mil BTCs entre julho do ano passado e fevereiro deste ano.
A correção no preço também atingiu as empresas que adotaram o bitcoin como ativo de reserva em suas tesourarias. Entre outubro de 2025 e junho deste ano, a queda do ativo eliminou R$ 266,36 bilhões em valor de mercado dessas companhias.
Queda
A maior perda foi registrada pela OranjeBTC (OBTC3). A empresa estreou na Bolsa brasileira um dia após o bitcoin renovar sua máxima histórica, mas o momento desfavorável pesou sobre o desempenho dos papéis. Desde a Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) até junho, as ações acumulavam queda de 75,21%, resultando em uma perda de R$ 5,8 bilhões em valor de mercado, segundo dados da Elos Ayta Consultoria.
Na sequência aparece a companhia norte-americana Strategy (MSTR), cujas ações recuaram 64,37% no período, reduzindo o valor de mercado da companhia em cerca de R$ 260 bilhões. Já a Méliuz (CASH3) apresentou na Bolsa brasileira uma queda mais moderada, de 13,21%, o que representou uma perda de R$ 62,3 milhões.
Temores
A aversão ao risco não está relacionada apenas aos conflitos no Oriente Médio, mas principalmente aos seus impactos sobre a economia global. Desde os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o petróleo saltou de US$ 60 para US$ 100 no mercado internacional, impulsionado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde passa aproximadamente 20% da produção mundial da commodity.
A disparada do petróleo elevou os temores inflacionários em diversas economias, incluindo a dos Estados Unidos. Além de encarecer os combustíveis, a alta da commodity aumenta os custos de transporte e logística, que costumam ser repassados aos preços de bens e serviços. O acordo de cessar-fogo ajuda a reduzir parte dessas preocupações, mas ainda não é suficiente para alterar significativamente as expectativas para a política monetária.