Rio de Janeiro, 12 de Março de 2026

Autoridade do Rio sugere enquadrar facções como terrorismo

Felipe Curi sugere que facções criminosas sejam tratadas como terrorismo. Especialistas alertam para impactos na soberania nacional.

Quinta, 12 de Março de 2026 às 13:40, por: CdB

Felipe Curi critica Lei Antiterrorismo brasileira e defende classificação internacional de organizações criminosas; especialistas alertam para impactos na soberania nacional.

Por Redação, com Agenda do Poder– do Rio de Janeiro

O secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Felipe Curi, defendeu que facções criminosas brasileiras deveriam ser tratadas como organizações terroristas. A declaração foi feita durante entrevista coletiva sobre a Operação Contenção Red Legacy, quando o secretário direcionou críticas ao governo federal sobre as estratégias de combate ao tráfico de drogas no país.

Autoridade do Rio sugere enquadrar facções como terrorismo | Felipe Curi, secretário de Polícia Civil
Felipe Curi, secretário de Polícia Civil

Apontado como pré-candidato nas eleições de outubro, Curi também comentou a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas estrangeiras. A eventual decisão preocupa especialistas, entre juristas e cientistas políticos, que temem consequências imprevisíveis para a soberania nacional.

Durante a coletiva, o secretário afirmou que o Comando Vermelho atua hoje em um modelo semelhante ao de um cartel, com presença em diferentes regiões do país e conexões internacionais.

Antiterrorismo

Segundo Curi, a atual legislação brasileira não permite enfrentar adequadamente as organizações criminosas. Ele criticou diretamente a Lei Antiterrorismo (Lei 13.260 de 2016), afirmando que a norma foi criada de forma ineficaz.

De acordo com o secretário, a lei tem sido usada como um obstáculo para que facções sejam reconhecidas formalmente como organizações terroristas. Para ele, grupos como o Comando Vermelho e o PCC já operariam como “narcoterroristas”.

Curi também destacou que, na sua avaliação, essas organizações passaram a atuar em articulação nacional e até transnacional, ampliando a complexidade das atividades criminosas e exigindo novas formas de enfrentamento por parte do Estado.

A possibilidade de o governo dos Estados Unidos enquadrar facções brasileiras como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) é vista pelo secretário como um avanço no combate ao crime organizado.

Segundo ele, essa classificação permitiria ampliar mecanismos de bloqueio de bens e rastreamento financeiro dessas organizações, tornando mais ágil a interrupção de fluxos de recursos utilizados no tráfico de drogas e em outras atividades ilegais.

Especialistas, porém, avaliam que a medida pode gerar efeitos diplomáticos e jurídicos complexos, além de levantar debates sobre autonomia e soberania do Brasil no tratamento de suas próprias organizações criminosas.

 

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