Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2026

Fiéis lotam o Centro do Rio no dia de São Jorge

Milhares de fiéis lotam o Centro do Rio de Janeiro para celebrar o dia de São Jorge, padroeiro da cidade. Conheça a importância cultural e religiosa da data.

Quinta, 23 de Abril de 2026 às 13:05, por: CdB

A data é feriado desde 2008. Em 2019, São Jorge foi oficializado como padroeiro do Rio de Janeiro. 

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

Feriado no Estado do Rio de Janeiro, o dia de São Jorge começou ainda durante a madrugada de quarta-feira, com a chegada de fiéis à Avenida Presidente Vargas, no Centro da capital fluminense, no entorno do Campo de Santana, local que concentra uma das principais manifestações religiosas da cidade.

Fiéis lotam o Centro do Rio no dia de São Jorge | Centro do Rio reúne fiéis no dia de São Jorge
Centro do Rio reúne fiéis no dia de São Jorge

A data é feriado desde 2008. Em 2019, São Jorge foi oficializado como padroeiro do Rio de Janeiro. 

Tradicionalmente representado como um cavaleiro que derrota um dragão, o santo é associado à proteção, à coragem e ao enfrentamento das adversidades.

O público se reuniu próximo ao palco montado em frente à Biblioteca Parque Estadual para acompanhar a tradicional alvorada às 5h, seguida de missa solene celebrada pelo padre Wagner Toledo. 

– Cada um aqui tem a sua batalha. Cada coração aqui conhece um peso. Cada vida aqui já enfrentou ou está enfrentando o dragão – disse o padre ao receber os fiéis.

A cantora Azula Cristina Pereira destacou a dimensão religiosa e cultural da data, associada também às religiões de matriz africana. 

– Venho todo ano [para a celebração de São Jorge]. Nem sempre consigo acordar para a madrugada, então estou feliz de estar aqui hoje. Para mim, que faço parte das religiosidades africanas, a gente cultua São Jorge junto com Ogum. Tudo está vinculado ao trabalho, à luta – afirmou. 

Azula ressalta o sincretismo religioso como expressão de resistência histórica.

Esse sincretismo é uma das marcas da devoção a São Jorge no Brasil. Nas religiões afro-brasileiras, como umbanda e candomblé, o santo é frequentemente associado a Ogum, orixá guerreiro ligado ao ferro e às batalhas. Em algumas regiões, também pode ser relacionado a Oxóssi. 

A prática tem origem no período da escravidão, quando africanos passaram a associar seus orixás a santos católicos para manter suas crenças.

A pedagoga e produtora cultural Gaby Makena descreveu a preparação para a celebração. 

– Começa no dia anterior, com oração, organização, roupa vermelha. Chegar cedo, acompanhar a missa e sair com esperança. Eu venho todo ano, no mesmo lugar, para alcançar minhas vitórias.

A ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco participou da cerimônia da alvorada e se emocionou ao lembrar da irmã, Marielle Franco. 

– Para mim, tem um significado totalmente pessoal e emocional. Eu vim com a Marielle em 2016, no ano em que ela foi eleita [vereadora] e, desde então, venho pagar a promessa que fizemos naquele dia – relembra Anielle.

– É como se eu estivesse hoje abraçando ela de novo. São Jorge é um momento de emoção, de família, de devoção e de resistência – acrescentou. 

– A gente tem lutado muito para que a intolerância e o racismo religioso acabem. São Jorge reúne diferentes religiões com fé e devoção e mostra o que o país precisa construir – disse ao destacar a importância do enfrentamento à intolerância religiosa.

Zona Norte

Além do centro da cidade, a celebração também mobilizou milhares de fiéis no bairro de Quintino, na Zona Norte, onde a tradicional alvorada é outro ponto de concentração de devotos. 

Ao longo de todo o dia, a programação prevê missas de hora em hora, mantendo o fluxo contínuo de devotos que passam pela região para rezar, pagar promessas e participar das celebrações.

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