Uma instalação retratava os anéis olímpicos pingando óleo preto, uma denúncia visual das empresas que o grupo acusa de contribuir para o aquecimento global.
Por Redação, com Reuters e ANSA – de Milão
O grupo ambientalista Greenpeace organizou um protesto em frente à principal catedral de Milão nesta quinta-feira, dia em que a tocha olímpica chegou à cidade co-anfitriã dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Uma instalação retratava os anéis olímpicos pingando óleo preto, uma denúncia visual das empresas que o grupo acusa de contribuir para o aquecimento global e ameaçar os esportes de inverno, que dependem de condições climáticas frias.
“Expulsem os poluidores dos Jogos”, dizia uma das faixas em frente ao Duomo (catedral) de Milão, no coração da cidade.
O Greenpeace, que entrou com uma ação judicial contra a Eni por mudanças climáticas, instou os organizadores dos Jogos de Inverno Milano Cortina 2026 a cortar laços com a gigante italiana de energia.
O grupo ambientalista argumenta que as operações de combustíveis fósseis da Eni prejudicam os esforços para proteger os esportes de neve à medida que as temperaturas aumentam.
Os Jogos Olímpicos de Inverno acontecerão de 6 a 22 de fevereiro. A Eni, controlada pelo Estado, é uma das principais patrocinadoras nacionais dos Jogos.
Em comunicado, a Eni afirmou que “compartilha a importância de abordar as mudanças climáticas” e continuará investindo na transição energética como parte de seu plano para atingir emissões líquidas zero até 2050.
A chama olímpica, que começou sua jornada pela Itália em dezembro após ser acesa em Roma, chegou ao norte de Milão na manhã desta quinta-feira.
A previsão era que ela passasse em frente à sede da Eni no final do dia.
Custo
Um estudo realizado por uma agência de classificação de risco apontou que as Olimpíadas de Inverno de Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália, custaram mais de 6 bilhões de euros (R$ 37,1 bilhões). Apesar da soma expressiva, o valor não parece ter surpreendido nem preocupado os analistas.
A Standard & Poor’s, responsável pelo levantamento, apresentou um número parcial e, sobretudo, incompleto, já que somente em 2032 o legado de infraestrutura, assim como o impacto social do megaevento esportivo, poderá ser plenamente avaliado.
Patrocínios e direitos de transmissão televisiva reforçaram os cofres dos organizadores, mas agora será necessário um esforço adicional para impulsionar a venda de ingressos. Os preços dos bilhetes aumentaram, em parte, devido ao choque inflacionário de 2022 e 2023 e a um ambiente macroeconômico desafiador, que inclui o conflito na Ucrânia e a metafórica guerra de tarifas, mas também em razão de diversos projetos adicionais de infraestrutura.
O plano de construção supera os quatro bilhões de euros, enquanto a Fundação Milano-Cortina, responsável pela organização dos Jogos Olímpicos, deverá gastar pouco menos de dois bilhões de euros para viabilizar a edição de 2026.
Dados do Ministério da Infraestrutura e Transportes da Itália indicam um investimento total superior a 3,5 bilhões de euros, envolvendo 340 empresas, 98 projetos com caráter permanente, 47 instalações esportivas e 51 projetos de infraestrutura de transportes.
A maior parte dos custos operacionais é repassada pelo comitê organizador, cujo orçamento mais recente “chega a 1,7 bilhão de euros”. As contribuições do Comitê Olímpico Internacional (COI), principalmente direitos de transmissão e programas de patrocínio internacional, cobrem quase 60% dos custos orçados. Além disso, diversos parceiros globais de renome participam do evento, entre eles Coca-Cola, Airbnb, Omega e o conglomerado americano Procter & Gamble (P&G).
Empresas italianas também integram projetos de infraestrutura, muitos deles voltados ao legado regional, como o investimento de 650 milhões de euros destinado à reforma e modernização de 10 estações das redes ferroviária e rodoviária.
A meta de arrecadar 500 milhões de euros em patrocínios deve ter sido superada graças à adesão de 54 marcas, divididas em quatro níveis e faixas de valor correspondentes. Entre os parceiros classificados como “premium”, com contribuições que variam de 23 milhões de euros a mais de 30 milhões de euros, estão Enel, Eni, Intesa Sanpaolo, Poste Italiane, Leonardo, Salomon e Stellantis.
Os organizadores das Olimpíadas de Inverno estimam a presença de cerca de dois milhões de espectadores, além de uma audiência global que pode alcançar até três bilhões de pessoas.
– Investimos dinheiro, sim, mas o retorno será maior do que o investido – afirmou o vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes da Itália, Matteo Salvini.