Desde o início do conflito, a ONG britânica Conflict and Environment Observatory (CEOBS) identificou mais de 300 incidentes com potencial de causar danos ambientais.
Por Redação, com DW – de Teerã
Os ataques a instalações petrolíferas e bases de mísseis na guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã estão despertando preocupações entre especialistas sobre um legado tóxico para a saúde humana e o meio ambiente que pode persistir muito depois do fim dos combates.

Desde o início do conflito, a ONG britânica Conflict and Environment Observatory (CEOBS) identificou mais de 300 incidentes com potencial de causar danos ambientais – desde ataques a bases de mísseis até ofensivas contra petroleiros no Golfo Pérsico. Mas os pesquisadores afirmam que esse número provavelmente representa apenas uma fração do dano real.
— Isso é só a ponta do iceberg. Só os Estados Unidos afirmam que atingiram 5 mil alvos — afirmou o diretor da CEOBS, Doug Weir.
‘Chuva negra’
As Nações Unidas também alertaram que ataques recentes a instalações petrolíferas podem gerar “consequências ambientais graves em toda a região, com potenciais impactos imediatos sobre a água potável, o ar que as pessoas respiram e os alimentos”. Um sinal desses riscos surgiu quando uma ‘chuva negra’ – mistura de óleo com precipitação – cobriu as ruas de Teerã após ataques israelenses no fim de semana contra várias instalações petrolíferas.
Incêndios nas instalações lançaram uma espessa fumaça negra sobre a capital, onde vivem quase 10 milhões de pessoas, levando o Crescente Vermelho do Irã a alertar os moradores para permanecerem em casa a fim de evitar poluentes tóxicos no ar. Alguns moradores relataram dores de cabeça e dificuldade para respirar.
Segundo Zongbo Shi, professor de biogeoquímica atmosférica da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, a fumaça provavelmente continha poluentes como “material particulado fino e dióxido de enxofre; além de compostos orgânicos voláteis tóxicos e outros subprodutos perigosos da combustão”.
Legado
Tais partículas podem penetrar profundamente nos pulmões e estão associadas a riscos maiores de doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente entre bebês, idosos e pessoas com problemas de saúde pré-existentes, de acordo com Shi.
Além da poluição imediata do ar, especialistas alertam que ataques a instalações militares e de energia podem deixar uma contaminação que persiste no ambiente por anos.
Quando instalações de petróleo são bombardeadas – como ocorreu no Irã e em outros países do Golfo –, elas podem liberar nuvens de poluentes tóxicos que se espalham pelas comunidades próximas e se acumulam em estradas, telhados, solos e áreas agrícolas, segundo a CEOBS.