Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2026

Aos 12 anos, garoto passa em matemática na Uerj

Bernardo, estudante do 8º ano, surpreende ao ser aprovado no vestibular da UERJ. Com mais de 80 medalhas em olimpíadas científicas, ele planeja seguir carreira em engenharia da computação.

Quarta, 11 de Fevereiro de 2026 às 12:29, por: CdB

Estudante do 8º ano prestou vestibular como treineiro, acumula dezenas de medalhas em olimpíadas científicas e já planeja carreira em engenharia da computação.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Aos 12 anos, cursando o 8º ano do ensino fundamental, Bernardo Vinício Manfredini alcançou um resultado que chamou a atenção dentro e fora da escola. Morador de São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, ele foi aprovado no curso de licenciatura em matemática da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Aos 12 anos, garoto passa em matemática na Uerj | Bernardo Manfredini, estudante de 12 anos aprovado na UERJ
Bernardo Manfredini, estudante de 12 anos aprovado na UERJ

Segundo reportagem do portal G1, o adolescente participou do vestibular como treineiro, modalidade destinada a estudantes que ainda não concluíram o ensino médio, mas que desejam testar conhecimentos e conhecer o formato do exame. A decisão partiu da própria curiosidade de Bernardo sobre o processo seletivo, com apoio da mãe, a professora Luzia Manfredini.

O resultado surpreendeu a família. “As licenciaturas, no geral, são os cursos menos concorridos das universidades. Mas por informações que encontramos na internet, esperávamos um corte bem mais baixo. O corte desse ano veio com uma média de 20 pontos mais alto do que esperávamos. Consegui passar com uns pontinhos sobrando”, revela o estudante.

Bernardo conta que decidiu fazer a prova para entender como funciona a seleção e vivenciar a experiência de um vestibular. Durante os dias de exame, a diferença de idade em relação aos demais candidatos despertou alguma curiosidade, mas não gerou maiores constrangimentos.

– Alguns que me olharam curiosos, mas eles estavam mais preocupados com suas provas. Eu sou alto para a minha idade, então não chamei muito a atenção. Teve uma pessoa que me perguntou se eu estava de treineiro e quis saber como era participar. Mas foi uma conversa curta – explica.

A mãe acompanhou de perto as duas etapas do processo: os exames de qualificação, com 60 questões objetivas, e a fase discursiva, que incluiu redação e provas específicas de física e matemática.

– Expliquei que ele poderia até entregar a prova em branco e que estaria tudo certo, que ele estava ganhando experiência de vida. Mas pelo tempo que ele ficou, que foram mais de duas horas, vi que estava tentando fazer a prova mesmo. Na segunda etapa, ele estava feliz por ter conseguido desenvolver a prova, em especial a redação, que era o medo de zerar – conta Luzia.

Medalhas

A escolha pelo curso de matemática reflete o interesse antigo de Bernardo pela disciplina. Ele participa regularmente de olimpíadas do conhecimento e já soma mais de 100 competições de alto nível, com cerca de 80 medalhas conquistadas.

– Não é em toda competição que ganho medalha, não. Dessas 80 medalhas, a maioria é de matemática, mas tem de outras áreas também, como a nacional de ciências, de química jr, de nanotecnologia, de astronomia e física. Tenho algumas medalhas internacionais em olimpíadas americana e asiáticas. As mais importantes são as da OBM, OMERJ e OBMEP – pontua o jovem.

Apesar do desempenho acadêmico, Bernardo afirma que mantém uma rotina equilibrada. “Acharam legal eu passar no vestibular e virar notícia. Fiquei muito feliz. Muito mesmo”, comenta.

Ele diz que também dedica tempo a atividades típicas da adolescência. “Gosto de uns assuntos que são vistos como não muito comuns, mas também gosto de coisas que meus amigos gostam, como jogar videogame, ver TV, andar de bicicleta, ir à praia, ao shopping, sair para lanchar, jogar tênis de mesa. Tem gente que acha que só estudo, mas tenho bastante tempo livre pra bagunçar”.

A família descobriu que Bernardo tinha altas habilidades quando ele tinha quatro anos. Segundo a mãe, o diagnóstico ajudou a compreender melhor o ritmo de aprendizagem do filho.

– Foi um divisor de águas nas nossas vidas, pois passamos a entender que ele e o irmão têm uma maneira de entender o mundo que é um pouco fora da curva, que aprendem algumas coisas com mais rapidez – relata Luzia.

Ela afirma que procura equilibrar o entusiasmo do filho com a necessidade de preservar momentos de lazer. “Ele tem uma curiosidade enorme pelo mundo, não só por matemática, e tende a procurar conteúdos. Ele quer participar de muita coisa e ainda precisa entender que não pode tentar dar conta do mundo. A mim, cabe podar algumas coisas, tentar achar espaço para atividade física, lazer que não seja só em eletrônicos.”

Planos

Mesmo com a aprovação antecipada, Bernardo projeta objetivos de longo prazo. “Quero passar no ITA ou IME e me formar. Aos jovens, digo que sigam seus sonhos e nunca deixem de estudar, porque educação te leva para frente. Às vezes, a gente acha algo que parece difícil demais, mas não dá para desistir, e, sim, tentar outras maneiras de entender e aprender”, diz o jovem.

Ele também reflete sobre o impacto da inteligência artificial nas profissões que pretende seguir. “A inteligência artificial vai ajudar e atrapalhar, dependendo de como evoluir e como for usada. Pode facilitar em cálculos e programas complexos, mas ainda apresenta erro em muitos pontos. Como nas outras áreas, ela vai poder impulsionar ou atrapalhar carreiras”, justifica o estudante.

A aprovação precoce não significa ingresso imediato na universidade, mas reforça o percurso acadêmico que Bernardo já constrói. Entre livros, medalhas e partidas de videogame, o estudante segue conciliando curiosidade científica e rotina de adolescente.

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