Segundo os autores, a posição militar da Rússia “mudou decisivamente para o Ocidente”, diz o artigo publicado.
Por Redação, com DW – de Berlim e Londres
Os chefes das Forças Armadas da Alemanha e do Reino Unido apoiam o rearmamento da Europa frente às percebidas ameaças emanadas da Rússia. Em artigo conjunto, divulgado nesta segunda-feira, eles sugeriram o fim do tempo pós-Guerra Fria conhecido por “dividendos da paz”, em que governos reduziram os gastos com defesa e segurança.

O chefe das Forças Armadas da Alemanha (Bundeswehr), general Carsten Breuer, e o chefe do Estado-Maior de Defesa do Reino Unido, marechal do ar Sir Richard Knighton, disseram falar “como vozes de uma Europa que agora precisa confrontar verdades desconfortáveis sobre sua segurança”.
Publicado nos jornais britânico The Guardian e no alemão Die Welt, o artigo coincidiu com o fim da 62ª Conferência de Segurança de Munique, onde se reuniram líderes políticos e militares de dezenas de países. Segundo os autores, a posição militar da Rússia “mudou decisivamente para o Ocidente”, com o país se rearmando e “se reorganizando de maneiras que podem aumentar o risco de conflito” com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Intenções
Na conferência, também a liderança da União Europeia (UE) apontou para a renovação da estratégia de segurança regional, citando o “imperialismo” russo como uma ameaça para o Ocidente, para além das fronteiras da Ucrânia.
“Nós sabemos que as intenções de Moscou vão além do conflito atual. Mas a boa notícia é que a Europa é poderosa. A Otan é a aliança militar de maior sucesso na história e hoje, junta, o seu poderio militar permanece insuperado,” escreveram Breuer e Knighton. “Temos capacidades sofisticadas nos domínios terrestre, marítimo, aéreo e cibernético, além de dissuasão nuclear.”
O tema da ameaça russa dominou a conferência em Munique, com diferentes painéis convocando europeus a coordenarem esforços. Os porta-vozes de um projeto de segurança reforçado têm recorrido ao ufanismo em antagonismo ao Kremlin, acusado de empreender uma guerra híbrida e atos de sabotagem contra a Europa.