O presidente russo disse que o Irã enfrenta uma ‘agressão armada’.
Por Redação, com CartaCapital – de Moscou, Teerã
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, prometeu nesta segunda-feira seu “apoio inabalável” ao novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, nomeado uma semana após o assassinato de seu pai e antecessor, Ali Khamenei, no início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos.

– Gostaria de reafirmar nosso apoio inabalável a Teerã e nossa solidariedade aos nossos amigos iranianos – disse Putin em uma mensagem a Mojtaba, 56 anos. “A Rússia tem sido e continuará sendo uma parceira confiável” para o Irã, acrescentou.
– Em um momento em que o Irã enfrenta uma agressão armada, sua gestão nesta posição tão elevada exigirá, sem dúvida, grande coragem e dedicação – concluiu Putin.
Mojtaba Khamenei
Eleito no domingo para assumir o comando do Irã e suceder ao seu pai na função de líder supremo, Mojtaba Khamenei é considerado uma das personalidades mais influentes do país.
O nome do religioso circulava há tempos como possível sucessor de Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro, aos 86 anos, após mais de três décadas à frente do Irã.
Nascido em 8 de setembro de 1969, na cidade sagrada de Mashhad (leste), Mojtaba Khamenei é um dos seis filhos do falecido líder supremo, e o único com uma posição pública, embora não ocupe um cargo oficial.
Devido à sua discrição em cerimônias oficiais e nos meios de comunicação, sua verdadeira influência deu origem a especulações intensas, tanto entre a população iraniana quanto em círculos diplomáticos.
O religioso, com barba grisalha e turbante negro dos “seyed” — descendentes do profeta Maomé — foi apresentado por alguns como o verdadeiro dirigente, que atuaria nos bastidores no escritório do líder supremo, núcleo do poder no Irã.
Ele é considerado próximo dos conservadores, especialmente por seus vínculos com a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da república islâmica. Essa relação remonta à sua participação em uma unidade de combate no final da longa guerra entre Iraque e Irã (1980-1988).
Nunca eleito
Quando lhe impôs sanções em 2019, o Tesouro americano indicou que Mojtaba Khamenei “representava oficialmente o líder supremo, embora nunca tenha sido eleito nem nomeado para um cargo governamental além de suas funções no escritório do pai”.
Ali Khamenei “delegou parte de suas responsabilidades de liderança ao filho”, que trabalhou “em estreita colaboração” com unidades da Guarda Revolucionária “para avançar as ambições regionais desestabilizadoras de seu pai e seus objetivos repressivos internos”, acrescentou o Tesouro.
Opositores o responsabilizam por desempenhar um papel na violenta repressão após a reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad em 2009, que provocou um amplo movimento de protesto.
Segundo uma investigação da Bloomberg, Mojtaba Khamenei enriqueceu consideravelmente ao tecer uma extensa rede de empresas de fachada no exterior. No campo religioso, estudou teologia na cidade santa de Qom, ao sul de Teerã, onde também deu aulas.
Alcançou o posto de hojatoleslam, título concedido a clérigos de nível intermediário, inferior ao de aiatolá que era ostentado por seu pai e por Ruhollah Khomeini.
Sua mulher, Zahra Adel, filha de um ex-presidente do Parlamento, também morreu nos ataques israelenses e norte-americanos que causaram a morte do líder supremo e de sua mulher, segundo autoridades iranianas.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, advertiu na semana passada que qualquer sucessor de Ali Khamenei se tornaria “um alvo”.