Rio de Janeiro, 15 de Julho de 2026

Vice-presidente da Argentina chama ingleses de ‘piratas usurpadores’

A mensagem da vice-presidente argentina vai na contramão das declarações do próprio treinador da seleção argentina, Lionel Scaloni, e de vários jogadores.

Quarta, 15 de Julho de 2026 às 12:37, por: CdB

A mensagem da vice-presidente argentina vai na contramão das declarações do próprio treinador da seleção argentina, Lionel Scaloni, e de vários jogadores.

Por Redação, com CartaCapital – de Buenos Aires

A vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel, chamou os ingleses de “piratas usurpadores”, antes da partida pelas semifinais da Copa do Mundo de 2026 que, nesta quarta-feira, colocou a Albiceleste frente à seleção da Inglaterra.

Mural nos arredores de Buenos Aires retrata Diego Maradona em ação pela Argentina contra a Inglaterra na Copa do Mundo de 1986

– Não vou ser politicamente correta nem peito frio, contra os ingleses sempre é algo a mais. São as malvinas, é o Diego, é a última de Leo e é botar freio nos invasores – disse a vice-presidente em uma mensagem na rede social X na terça-feira.

– Amanhã (nesta quarta-feira) jogaremos contra os piratas usurpadores. Não é apenas mais uma partida – acrescentou Villarruel, cujo pai foi um militar veterano da Guerra das Malvinas, em 1982, na qual o governo ditatorial da Argentina e o da Inglaterra lutaram pela soberania das ilhas, que segue em disputa entre ambos os países por vias diplomáticas.

O conflito bélico, que durou 74 dias, terminou com a vitória do Reino Unido e um total de 649 argentinos e 255 britânicos mortos.

– Vai, Argentina! Porque até o último suspiro vamos reivindicar o que é nosso! – concluiu Villarruel.

Em sua mensagem, a vice-presidente também fez alusão a Diego Maradona, que, na Copa do Mundo de 1986, na qual a Argentina foi campeã, marcou dois gols lendários na vitória por 2 a 0 contra a Inglaterra. Um deles é conhecido como “o gol do século” e o outro, polêmico, chamado “a mão de Deus”.

A mensagem da vice-presidente argentina vai na contramão das declarações do próprio treinador da seleção argentina, Lionel Scaloni, e de vários jogadores que procuraram reduzir o tom das implicações da partida, despojando-a de qualquer conteúdo político ou histórico.

– É uma partida de futebol, não tem outra forma de dizer. Então, misturar seria uma loucura – havia dito Scaloni a respeito.

EUA

Na terça-feira, a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, afirmou que, de acordo com o esquema de segurança estabelecido pelos Estados Unidos para a partida que será disputada na cidade de Atlanta, os torcedores argentinos não poderão entrar no estádio com bandeiras ou qualquer elemento alusivo às Ilhas Malvinas.

– Não vão poder entrar bandeiras com mensagens deste tipo – disse Monteoliva à rádio La Red. “Nada que contenha uma mensagem que possa provocar qualquer tipo de situação”, acrescentou.

A alusão às ilhas está presente de forma habitual nas bandeiras dos clubes de futebol argentinos, também naquelas que incentivam a seleção e nos cânticos das torcidas.

– Isso é mais complicado, não dá pra tapar a boca das pessoas – respondeu, bem-humorada, a ministra, quando foi consultada a respeito.

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