Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Vaticano pede aos budistas união pela 'paz desarmante'

O Vaticano convoca budistas a unir forças pela paz em um mundo marcado por tensões e fragilidade, promovendo a compaixão e o diálogo inter-religioso.

Segunda, 11 de Maio de 2026 às 11:55, por: CdB

Segundo o Vaticano, o cenário internacional atual é marcado por profundas tensões e por uma sensação crescente de fragilidade.

Por Redação, com ANSA – da Cidade do Vaticano

O Dicastério para o Diálogo Inter-religioso do Vaticano enviou nesta segunda-feira uma mensagem aos budistas de todo o mundo por ocasião da festa de Vesak, que comemora o nascimento, a iluminação e a morte de Buda, alertando para todos quebrarem “as correntes do ódio” com uma “paz desarmante”.

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Vaticano destacou que cenário atual é marcado por guerras

No texto, intitulado “Budistas e Cristãos por uma Paz desarmada e desarmante”, o Vaticano afirma que a paz, “mesmo quando parece frágil, como uma chama ameaçada pelas tempestades do ódio e do medo, deve ser protegida e cultivada”.

“A paz para a qual somos chamados é uma paz desarmante e desarmada, que não se apoia na força, mas brota da verdade, da compaixão e da confiança recíproca”, destaca a mensagem.

Segundo o Vaticano, o cenário internacional atual é marcado por profundas tensões e por uma sensação crescente de fragilidade, portanto “não podemos ignorar as sombras que pairam sobre o mundo”.

“Guerras, violência, o crescente nacionalismo etnorreligioso e a instrumentalização da religião continuam ferindo nossa humanidade comum”, afirma o texto. “Em um mundo que parece cada vez mais frágil e, por vezes, marcado por uma preocupante sensação de regressão, o apelo à paz torna-se ainda mais urgente”.

A mensagem também ressalta o papel das tradições espirituais na construção do diálogo e da convivência entre os povos.

“A bondade é verdadeiramente desarmante: ela rompe o ciclo da suspeita e abre caminhos onde pareciam não haver”, diz o documento. “Em suas expressões mais autênticas, nossas tradições nos convidam a purificar nossos corações da hostilidade, a transcender fronteiras e a reconhecer-nos como membros de uma única família humana.”

O Dicastério ainda reafirma a importância da cooperação entre cristãos e budistas para promover a reconciliação, a solidariedade e a paz mundial.

Além disso, recorda que Jesus convida seus discípulos a “amar os inimigos e rezar por aqueles que os perseguem”, proclamando: “Felizes os que promovem a paz”. Assim, destaca que budistas e cristãos convergem na defesa de “uma paz vivida”, capaz de desarmar os corações antes das mãos.

O texto afirma que esse caminho exige “mudança de atitudes e compromisso com ações concretas” e líderes religiosos e fiéis são chamados a promover o diálogo, a reconciliação e a reconstrução da confiança, tornando-se “artífices da paz”.

Injustiça

Por fim, a mensagem destaca a responsabilidade compartilhada de combater a injustiça, rejeitar divisões e buscar o diálogo em vez do conflito. Cada comunidade é convidada a superar a hostilidade pelo encontro, praticando a justiça e o perdão.

Para o Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, cultivar uma “paz desarmada e desarmante” passa pela oração, pela transformação interior e por gestos cotidianos de bondade, esperança e rejeição ao ódio.

O texto conclui com o apelo para que budistas e cristãos sejam testemunhas de “uma paz que cura feridas, restaura as relações e abre novos horizontes para a humanidade”.

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