Vidro que protege imagem da santa amanheceu quebrado nesta quarta; apesar do ataque, escultura não sofreu dano.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
O altar de Nossa Senhora do Amparo, instalado em uma praça de Cascadura, na Zona Norte do Rio, foi danificado durante um ato de vandalismo. O vidro que protege a imagem foi encontrado quebrado na manhã desta quarta-feira.

A escultura fica em uma cabine da Guarda Municipal, na mesma praça, e, apesar do ataque, não sofreu danos. Ainda não há informações sobre a dinâmica do crime nem da identidade dos envolvidos.
O secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, repudiou o episódio e afirmou que a imagem da santa voltará ao altar em sua forma original. “A prefeitura do Rio respeita e é aliada de todas as crenças e religiões, e repudia veementemente qualquer tipo de intolerância”, declarou.
STF mandou para investigar ataques a imagens religiosas.
O ato de vandalismo contra a escultura de Nossa Senhora do Amparo ocorre em meio a uma onda de ataques a imagens religiosas no país. No fim de setembro, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal investigasse uma série de ataques contra imagens e espaços religiosos no país. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também foi acionada para avaliar a abertura de um procedimento sobre os episódios.
A determinação citou ocorrências em diferentes estados, envolvendo imagens católicas e espaços de religiões de matriz africana. A apuração, segundo a determinação, deve esclarecer as circunstâncias dos ataques e a existência de possíveis crimes relacionados à intolerância religiosa. A iniciativa ocorreu no momento em que a utilização da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, se tornou tema de disputa política e jurídica em meio ao período eleitoral.
Cultos
Os parlamentares da Câmara do Rio aprovaram, na terça-feira, uma proposta que amplia a proteção ao exercício de cultos religiosos na cidade. O Projeto de Lei 948/2025 fixa regras para a atuação de agentes públicos municipais diante de manifestações de fé de diferentes religiões, com o objetivo de garantir o respeito à liberdade religiosa.
O texto, de autoria do vereador Átila Nunes (PSD), determina, entre outros pontos, que servidores ou autoridades no exercício da função pública ficam proibidos de interromper quaisquer celebrações religiosas em andamento, como orações, liturgias, rituais e outras práticas, tanto em espaço público quanto privado. A exceção, de acordo com a medida, valerá apenas em situações de risco grave e imediato à segurança pública ou à saúde coletiva, além de casos em que exista ordem judicial fundamentada.
– Embora a liberdade religiosa seja um direito fundamental, na prática, religiosos de diversas confissões, especialmente de matrizes africanas e evangélicas, têm enfrentado interferências e interrupções durante suas celebrações, sob o argumento de controle sonoro, perturbação do sossego ou outras justificativas genéricas – afirma o autor na justificativa da proposta.
Segundo o projeto, caso o servidor identifique alguma irregularidade, será preciso notificar previamente os responsáveis pelo templo religioso, que deverá ter um prazo para adequação diante dos problemas pontuados. Servidores que desrespeitarem as normas previstas no texto poderão responder por abuso de autoridade e passar por ação administrativa.
– Nossa finalidade é criar mecanismos de diálogo e prevenção de conflitos, preservando tanto a fiscalização municipal quanto o direito à liberdade religiosa – explicou Átila Nunes.
O projeto de lei agora segue para o gabinete do prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que tem 15 dias para sancionar ou vetar o texto.