Rio de Janeiro, 18 de Fevereiro de 2026

Unidos de Vila Isabel se destaca em noite de desfiles marcantes

A Unidos de Vila Isabel se destacou em uma noite de desfiles competitivos, equilibrando conceito, acabamento e emoção. Confira os detalhes!

Quarta, 18 de Fevereiro de 2026 às 11:41, por: CdB

No conjunto da noite, a Sapucaí assistiu a desfiles de forte identidade e alta competitividade, mas foi a Vila Isabel quem melhor equilibrou conceito, acabamento e impacto emocional.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Paraíso do Tuiuti 

A Paraíso do Tuiuti transformou a Marquês de Sapucaí em um grande terreiro de Ifá, levando para a avenida a força do sistema divinatório iorubá e a ancestralidade do culto a Orunmilá. O desfile mergulhou no universo simbólico dos ikins e na tradição do Babalaô, criando uma atmosfera ritualística que envolveu público e arquibancadas. Desde a comissão de frente até as alegorias, a escola construiu um espetáculo de fé, identidade e afirmação cultural.

Unidos de Vila Isabel se destaca em noite de desfiles marcantes | No conjunto da noite, a Sapucaí assistiu a desfiles de forte identidade e alta competitividade
No conjunto da noite, a Sapucaí assistiu a desfiles de forte identidade e alta competitividade

Com fantasias marcadas por referências africanas e alegorias que evocavam o sagrado, o Tuiuti apresentou um cortejo coeso e vibrante. A narrativa valorizou a herança afro-brasileira sem perder o impacto visual, equilibrando densidade temática e potência estética. O conjunto revelou cuidado na pesquisa e força plástica, transformando espiritualidade em espetáculo carnavalesco.

No aspecto avaliativo, o Tuiuti realizou um desfile brilhante, consistente e empolgante. Soube unir discurso e emoção, entregando um espetáculo que dialogou com tradição e resistência cultural. Saiu da avenida fortalecido, mas abriu um buraco na frente do módulo duplo de jurados e deve ter as notas de Evolução afetadas na quarta-feira de cinzas.

Unidos de Vila Isabel 

A Unidos de Vila Isabel sonhou a África de Heitor e transformou o enredo em uma viagem estética e conceitual potente. A escola apresentou uma narrativa que cruzou referências culturais, históricas e simbólicas do continente africano, guiada por uma leitura poética e autoral. O desfile foi marcado por imponência visual e forte identidade estética.

A construção alegórica revelou grandiosidade e sofisticação, com setores bem definidos e fantasias que dialogavam com a riqueza cultural africana. A comissão de frente abriu os caminhos dessa jornada com impacto cênico, enquanto o desenvolvimento manteve a linearidade narrativa e vigor plástico. A escola mostrou segurança e maturidade ao sustentar o enredo com clareza e intensidade.

Em suma, a Vila Isabel se destacou na noite e entrou forte na briga pelo título de 2026. O desfile aliou conceito, acabamento e emoção, demonstrando equilíbrio entre ousadia artística e técnica competitiva. Foi, sem dúvida, uma das apresentações mais completas da noite.

Grande Rio 

A Acadêmicos do Grande Rio levou o manguebeat para o coração do carnaval, transformando caranguejos e parabólicas em símbolos de um Brasil criativo e pulsante. O desfile evocou a estética urbana e cultural do movimento pernambucano, misturando tradição popular e contemporaneidade com irreverência e cor.

Visualmente impactante, a escola apostou em alegorias vibrantes e fantasias cheias de referências ao universo manguebeat, criando um desfile dinâmico e cheio de identidade. A narrativa valorizou a mistura de ritmos, linguagens e expressões culturais, com forte apelo popular e comunicação direta com o público.

Na avaliação geral, a Grande Rio apresentou um desfile colorido, criativo e envolvente. Embora menos vigorosa que outras concorrentes, mas reafirmando sua marca contemporânea na Sapucaí.

Salgueiro 

A Acadêmicos do Salgueiro fechou a noite transformando a avenida em uma obra viva dedicada a Rosa Magalhães. O enredo apresentou uma jornada poética pela trajetória da carnavalesca, estruturando o desfile como uma grande biblioteca temática, com setores que revisitavam cortes europeias, o imaginário lúdico, as grandes navegações, a natureza brasileira e o próprio carnaval.

A comissão de frente, coreografada por Paulo Pinna, abriu o espetáculo como quem abre um livro raro, instaurando a atmosfera de encantamento que marcou toda a apresentação. O casal Sidclei Santos e Marcella Alves desfilou com elegância e memória afetiva, enquanto o conjunto alegórico trouxe navio-biblioteca, jardins faustosos e, na apoteose, a emocionante alegoria “Eis a flor dos amanhãs”, com escultura de Rosa e homenagem explícita de profissionais do carnaval.

Em suma, o Salgueiro realizou um desfile emocionante, técnico e exuberante. Conseguiu transformar saudade em celebração e erudição em espetáculo popular, encerrando a noite com força simbólica e impacto visual. Foi uma apresentação de grande densidade artística e forte apelo afetivo, consolidando-se como um dos momentos mais marcantes da jornada.

No conjunto da noite, a Sapucaí assistiu a desfiles de forte identidade e alta competitividade, mas foi a Vila Isabel quem melhor equilibrou conceito, acabamento e impacto emocional. O Tuiuti brilhou ao transformar espiritualidade em espetáculo potente, a Grande Rio apostou na cor e na comunicação direta com o público, e o Salgueiro encerrou com emoção e rigor estético. Em uma jornada marcada por diversidade temática e alto nível técnico, a disputa pelo título ganhou contornos ainda mais intensos, com a Vila saindo da avenida como principal referência da noite.

Edições digital e impressa