Rio de Janeiro, 12 de Outubro de 2026

Ucrânia acusa Rússia de romper trégua energética

Presidente dos EUA anunciou que dois países teriam concordado em interromper ataques a instalações energéticas. Moscou não se manifestou sobre suposto acordo e Kiev disse que soube dele por meio da imprensa.

Segunda, 12 de Outubro de 2026 às 10:57, por: CdB

Presidente dos EUA anunciou que dois países teriam concordado em interromper ataques a instalações energéticas. Moscou não se manifestou sobre suposto acordo e Kiev disse que soube dele por meio da imprensa.

Por Redação, com DW – de Kiev

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta segunda-feira que a Rússia atingiu várias usinas de energia ucranianas no domingo, incluindo uma em Kiev e outra em Kharkiv, provocando interrupções no fornecimento de eletricidade, mesmo depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado que os dois países em guerra haviam concordado com um “cessar-fogo energético” no conflito que já dura quatro anos e meio.

Bombeiros ucranianos apagam incêndio causado por ataque russo em Kharkiv

A Rússia atacou durante a noite instalações de produção de gás da petrolífera estatal ucraniana Naftogaz, na região de Kharkiv, provocando um incêndio, comunicou a empresa ucraniana nesta segunda-feira.

Sob pressão devido aos altos preços da energia antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, no próximo mês, Trump surpreendeu Kiev e seus aliados europeus ao anunciar que Ucrânia e Rússia haviam concordado com um cessar-fogo energético durante o fim de semana. Ele também revelou um acordo para comprar diesel da Rússia, o que provocou indignação na Ucrânia.

Enquanto autoridades ucranianas manifestavam ceticismo em relação ao cessar-fogo, a União Europeia instou os Estados Unidos a manter a pressão sobre Moscou e aprovou novas sanções voltadas ao complexo militar-industrial russo.

Rússia

Moscou não comentou imediatamente o anunciado acordo de cessar-fogo. No Fórum de Segurança de Varsóvia, na Polônia, Zelensky disse que a Ucrânia tomou conhecimento dele por meio da imprensa.

Zelensky afirmou que estaria disposto a respeitar esse acordo desde que Moscou fizesse o mesmo, mas ressaltou que a Rússia continuava atacando infraestruturas energéticas em Kiev e Kharkiv. “Nós apoiamos, mas não ouvi a aprovação dessa proposta por parte da Rússia”, declarou.

A breve publicação de Trump nas redes sociais, no domingo, anunciando o suposto acordo para interromper mutuamente os ataques a instalações de energia, apenas dizia que o cessar-fogo entraria em vigor imediatamente, acrescentando: “Não o violem!”.

Trump já havia afirmado numa postagem de 14 de setembro que ambos os países haviam concordado em não atacar a infraestrutura energética um do outro, mas não forneceu detalhes sobre a proposta, e nada resultou desse suposto acordo.

Ceticismo da UE

A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Kaja Kallas, recebeu positivamente a perspectiva de uma pausa nos ataques a instalações energéticas da Ucrânia, especialmente com a aproximação do inverno, mas afirmou não ver sinais de que a Rússia esteja disposta a respeitá-la.

– Pessoalmente, eu também gostaria que o cessar-fogo incluísse pessoas não sendo mortas e não apenas a infraestrutura energética – disse Kallas, durante uma reunião dos ministros do Exterior da UE, em Luxemburgo.

Kallas também enfatizou a necessidade de os países europeus continuarem apoiando os esforços da Ucrânia para se defender da invasão conduzida por Moscou, mesmo após Trump ter fechado, na sexta-feira, um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para que os Estados Unidos comprem diesel da Rússia, numa tentativa de conter os altos preços dos combustíveis antes das eleições legislativas americanas.

Autoridades ucranianas e europeias reagiram com preocupação ao acordo sobre o diesel, afirmando que ele ajudará a financiar o esforço de guerra russo.

Nesta segunda-feira, vários ministros do Exterior da União Europeia disseram que o acordo dificilmente reduzirá os preços da energia e parece ter como objetivo ajudar os republicanos a vencer as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

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